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    porto velho, sexta-feira 6 de fevereiro de 2026

Último pacto de armas nucleares entre Rússia e EUA expira hoje e aumenta risco de conflito

Para especialistas, colapso do Start também pode levar a uma nova corrida armamentista e fomentar a instabilidade global


terra

Publicada em: 05/02/2026 09:55:38 - Atualizado

WASHINHGTON - O último pacto de armas nucleares remanescente entre a Rússia e os Estados Unidos expira nesta quinta-feira, 5, removendo, pela primeira vez em mais de meio século, quaisquer limites para os dois maiores arsenais atômicos do planeta.

Conhecido como Novo Tratado de Redução de Armas Stratégicas ( Novo Start), o acordo prevê limites às ogivas nucleares de longo alcance desenvolvidas por Estados Unidos e Rússia. Seu colapso, para especialistas, abriria caminho para o que muitos temem ser uma corrida armamentista nuclear desenfreada.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou estar pronto para respeitar os limites do acordo por mais um ano, caso Washington faça o mesmo, mas o presidente Donald Trump não se comprometeu com a prorrogação.

Nos últimos meses, Trump vem indicando que gostaria de envolver a China em negociações de controle de armas, algo que Pequim rejeita, segundo uma fonte da Casa Branca que não estava autorizado a falar publicamente e falou sob condição de anonimato. Ainda de acordo com essa fonte, Trump tomará uma decisão sobre o controle de armas nucleares no momento oportuno.

Putin discutiu o término do pacto com o líder chinês Xi Jinping, disse o conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, observando que Washington não respondeu à sua proposta de prorrogação. A Rússia "agirá de forma equilibrada e responsável, com base em uma análise minuciosa da situação de segurança", afirmou Ushakov.

Defensores do controle de armas expressam preocupação com o vencimento do tratado, alertando que ele pode levar a uma nova corrida armamentista, fomentar a instabilidade global e aumentar o risco de um conflito nuclear.

Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscou, afirmando que a Rússia não poderia permitir inspeções americanas em suas instalações nucleares em um momento em que Washington e seus aliados da Otan declararam abertamente a derrota de Moscou na Ucrânia como seu objetivo. Ao mesmo tempo, o Kremlin enfatizou que não estava se retirando completamente do pacto, prometendo respeitar os limites para armas nucleares.

Já em setembro do ano passado, Putin ofereceu estender o tratado por um ano, a fim de ganhar tempo para que ambos os lados negociassem um novo acordo . O líder russo disse que o vencimento do pacto seria desestabilizador e poderia alimentar a proliferação nuclear.

Rose Gottemoeller, principal negociadora americana para o pacto e ex-vice-secretária-geral da Otan, disse que estendê-lo teria servido aos interesses dos EUA. "Uma prorrogação de um ano dos limites do Novo Start não prejudicaria nenhuma das medidas vitais que os Estados Unidos estão tomando para responder ao aumento do programa nuclear chinês", disse ela em uma discussão online no mês passado.



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