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porto velho, terça-feira 3 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO-RO: O que era para ser uma obra de mobilidade e melhoria no acesso acabou se transformando em mais um retrato do desperdício de recursos públicos em Rondônia. Recém-inaugurada, a Estrada da Penal, em Porto Velho, já apresenta um cenário de degradação acelerada: buracos espalhados por toda a via, asfalto esfarelando e trechos que mais lembram um verdadeiro queijo suíço.
A situação tem gerado indignação de motoristas, moradores e trabalhadores que utilizam diariamente a rodovia. O problema chama ainda mais atenção pelo curto intervalo entre a conclusão da obra e o surgimento dos danos, o que levanta questionamentos diretos sobre a qualidade do serviço executado pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Rondônia.
Procurada, a Prefeitura de Porto Velho foi categórica ao afastar qualquer responsabilidade sobre o problema. Segundo a administração municipal, as ações de pavimentação realizadas pelo município seguem critérios técnicos rigorosos e padrões adequados de execução. No caso específico da Estrada da Penal, a prefeitura esclarece que a obra foi de responsabilidade do governo estadual, por meio do DER, e que o esburacamento precoce decorre diretamente da má qualidade do asfaltamento executado.
A deterioração rápida da via reforça uma crítica recorrente à atuação do DER: obras entregues sem durabilidade, fiscalização falha e ausência de transparência sobre os critérios técnicos adotados no recebimento da obra. Para quem trafega pela estrada, o resultado é concreto — prejuízos a veículos, riscos de acidentes e a sensação de que o dinheiro público literalmente se dissolve no primeiro período de chuvas.
Especialistas em infraestrutura ouvidos informalmente apontam que problemas como base mal preparada, espessura insuficiente da camada asfáltica e uso de material de baixa qualidade costumam estar por trás desse tipo de colapso precoce. São falhas que não surgem por acaso, mas por negligência técnica ou execução apressada.
Enquanto isso, a população paga a conta. O que deveria ser uma rodovia funcional virou um obstáculo diário, ampliando o desgaste da relação entre o cidadão e o poder público estadual. A Estrada da Penal passa a simbolizar, mais uma vez, a distância entre o discurso oficial de obras entregues e a realidade enfrentada nas ruas.
Diante do cenário, cresce a pressão para que o DER preste esclarecimentos, apresente laudos técnicos e informe se haverá responsabilização das empresas executoras. Mais do que remendos emergenciais, a situação exige respostas, correções definitivas e respeito ao contribuinte, que já cansou de ver inaugurações rápidas e asfaltos que não resistem ao tempo.