• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, quinta-feira 23 de julho de 2026

Donald Trump diz que Arábia Saudita deve aderir aos Acordos de Abraão após tratado

Exigência vem após a assinatura formal de pacto nuclear que permite programa atômico civil


cnn

Publicada em: 23/07/2026 11:21:48 - Atualizado

MUNDO: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma nova condição a um acordo nuclear com a Arábia Saudita, um dia após aprová-lo formalmente, afirmando que o país agora deve aderir aos Acordos de Abraão.

Trump escreveu em uma publicação nas redes sociais, nesta quinta-feira (23), que o acordo assinado "será aprovado", mas acrescentou que ele "depende totalmente da adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão".

Na quarta-feira (22), o secretário de Energia, Chris Wright, e seu homólogo saudita assinaram o acordo, que proporciona à Arábia Saudita um programa nuclear para fins civis.

O caso já provocou críticas de autoridades israelenses e deve atrair a atenção do Congresso americano. A CNN noticiou anteriormente que o governo deixou o acordo estagnado por meses devido a preocupações com a guerra envolvendo o Irã e à possibilidade de rejeição pelo Congresso.

Trump enfatizou em sua publicação que não haverá “nenhum enriquecimento” de material nuclear. A Arábia Saudita vinha resistindo a esforços para aderir aos Acordos de Abraão — uma iniciativa iniciada durante o primeiro mandato de Trump e ampliada durante o segundo para estabelecer laços diplomáticos entre Israel e seus vizinhos no Oriente Médio.

Não está claro qual impacto a mensagem de Trump nas redes sociais terá sobre o acordo assinado.

O que são os Acordos de Abraão?

Assinados inicialmente em setembro de 2020, ainda no primeiro mandato de Trump, os Acordos de Abraão tinham, em princípio, e não oficialmente, a missão de formar um bloco de contenção contra o Irã no mundo árabe e conter a influência de Teerã na região.

O nome Abraão é uma referência ao patriarca que é figura central na história do judaísmo e do islã e reflete o elo entre os dois povos.

No começo, o pacto foi assinado em uma cerimônia na Casa Branca com líderes de Israel, dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein. Pouco depois, Sudão e Marrocos também aceitaram fazer parte.

Com isso, países signatários passaram a normalizar relações com os israelenses, mesmo sem garantias de que um Estado palestino seria reconhecido e criado.

Relações comerciais foram ampliadas, principalmente nas áreas de ciência, defesa e segurança, embaixadores foram nomeados oficialmente e voos diretos passaram a operar entre alguns dos países.

À época, a proposta dos Estados Unidos mostrou às nações a necessidade de se posicionar contra o Irã e de que relações lucrativas no comércio bilateral poderiam ser formadas, mesmo que a questão palestina não fosse resolvida.

Quais são os países que assinaram?

Israel é considerado o pivô dos acordos. Para o país, a assinatura significava o fim do isolamento regional e a abertura de novos mercados bilionários para muitas empresas.

Por outro lado, os israelenses ofereceram acesso maior à tecnologia de ponta, principalmente em questões hídricas, no agronegócio e na cibersegurança.

A entrada dos Emirados Árabes foi por um motivo pragmático.

O país ganhou, ao assinar, uma autorização inédita do Congresso dos Estados Unidos para a compra de caças invisíveis F-35 e drones armados MQ-9 Reaper, duas ferramentas estratégicas de posicionamento bélico na região e de dissuasão militar.

Já a assinatura do Bahrein foi por motivos estratégicos de sobrevivência.

O país é governado por uma família real sunita, mas tem uma população de maioria xiita, a mesma vertente do islamismo do Irã.

O Bahrein teme que Teerã incite rebeliões que possam derrubar a realeza e fazer parte dos Acordos de Abraão seria uma forma de mitigar esse risco.

Marrocos e o Sudão entraram também com recompensas por parte dos americanos.

No caso do Marrocos, os Estados Unidos garantiram o reconhecimento de um território disputado chamado de Saara Ocidental.

Já o Sudão aceitou assinar com a promessa de que Washington retiraria o país da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo, o que liberou acesso a empréstimos do FMI.


Fale conosco