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porto velho, sábado 25 de julho de 2026

MUNDO: No último dia 13 de julho, Donald Trump anunciou que cobraria dos navios que passassem pelo Estreito de Ormuz um pedágio de nada menos que 20% do valor da carga embarcada. Como já era de se esperar do presidente americano, poucas horas depois, após conversas com os países do Golfo, Trump voltou atrás.
O episódio mostra o quanto as questões de segurança e economia no Golfo Pérsico estão intimamente ligadas aos Estados Unidos, mas também entre os próprios países da região. Além disso, aponta para uma tendência fundamental: será que a guerra de EUA e de Israel contra o Irã, controversa do ponto de vista do direito internacional, fez com que as nações árabes ficassem ainda mais unidas?
Em termos de política de segurança, sim; em termos de política externa, apenas de forma limitada, afirmam especialistas. A cooperação cresce onde ameaças comuns geram interesses comuns. No entanto, não se pode falar de uma política externa comum na região do Golfo.
"Atualmente, observamos duas tendências opostas”, afirma a cientista política Hanna Voss, da Fundação Friedrich Ebert (FES), em entrevista à DW na capital libanesa, Beirute. Segundo ela, vários países árabes enfrentam a mesma ameaça por parte do Irã: ataques com mísseis e drones à infraestrutura energética, bem como o bloqueio do Estreito de Ormuz, artéria vital para o fluxo de mercadorias de importação e exportação. Apesar disso, as rivalidades políticas dentro da região não desapareceram.
O Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington, chega a uma conclusão semelhante. De acordo com a entidade, a guerra afetou diretamente, pela primeira vez, todos os Estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo, composto por Bahrein, Catar, Kuwait, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Isso reforçou a consciência na região pelos interesses comuns de segurança, fazendo com que a cooperação ficasse mais estreita, sobretudo no que diz respeito ao intercâmbio de informações de inteligência, à coordenação de ações militares e à proteção da navegação.
Pauline Raabe, do think tank berlinense Middle East Minds, também observa essa evolução. "A cooperação ocorre principalmente em questões de segurança", afirma ela em entrevista à DW. Os países árabes se apoiam mutuamente na defesa aérea e coordenam as posições de política externa. No entanto, há nuances: Omã e Catar apostam na mediação, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos adotam, em alguns casos, posições mais duras em relação ao Irã.
Segundo avaliação do Congressional Research Service (CRS), serviço de pesquisa do Congresso dos EUA, é exatamente aí que reside o limite da cooperação. Embora a colaboração esteja crescendo na prática, as nações que fazem parte do Conselho de Cooperação do Golfo continuam adotando estratégias diferentes em relação a Teerã.
"Não há uma estratégia comum bem definida", afirma Raabe, pontuando que a cooperação ocorre principalmente onde há interesses comuns imediatos, como na proteção da navegação ou da infraestrutura crítica.
"Por isso, eu não falaria de uma nova unidade árabe", diz Hanna Voss, da FES. A guerra forçou os países a uma colaboração pontual, mas não eliminou as divergências. Esses atores não se uniram, segundo ela, porque perseguem os mesmos objetivos políticos, mas porque compartilham as mesmas preocupações.
Assim, a relação com o Irã na região continua marcada pelo pragmatismo. "Praticamente todos os países árabes continuam interessados em manter relações pragmáticas com o Irã", diz Voss. Especialmente Omã e Catar dispõem de canais de diálogo estreitos com a república dos aiatolás, diz.