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    porto velho, sábado 25 de julho de 2026

Um mês após terremotos na Venezuela, sobreviventes vivem futuro incerto no país

Milhares de desabrigados aguardam por soluções habitacionais sem previsão de retorno para suas casas


cnn

Publicada em: 25/07/2026 10:41:05 - Atualizado


MUNDO: Na primeira noite, eles dormiram no estacionamento do Complexo Esportivo José María Vargas. As barracas militares chegaram no dia seguinte.

Um mês após os dois terremotos que abalaram o norte da Venezuela, entre os mais devastadores e fortes já registrados no país em mais de um século, um complexo esportivo continua sendo o lar temporário de centenas de famílias que abandonaram suas casas devido a danos estruturais ou ao medo de novas réplicas.

O café da manhã chega às 9h, o almoço é servido ao meio-dia e, à noite, as crianças devem ir para a cama cedo para poderem frequentar, no dia seguinte, a escola improvisada dentro do abrigo.

"Não é fácil, mas torna tudo um pouco mais suportável", diz Veruska Isasis à CNN. A organização as ajuda a enfrentar o dia a dia, mas as famílias ainda não sabem por quanto tempo mais as barracas serão seu lar.

Até esta segunda-feira (20), 107 acampamentos abrigavam cerca de 23 mil pessoas, e quase 18 mil haviam ficado desabrigadas, segundo dados apresentados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodriguez.

Entre as famílias abrigadas no complexo esportivo, localizado no estado de La Guaira, há várias que deixaram para trás edificações que permanecem de pé, mas para as quais não se sentem mais seguras de retornar.

Para avaliar as residências afetadas, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez implementou um sistema de "semáforo" que classifica os imóveis danificados pelos terremotos de 24 de junho de acordo com seu nível de habitabilidade.

O abrigo tem horários, mas não tem certezas

Veruska Isasis recorda que os primeiros dias foram de improviso. Ela e a filha deixaram o apartamento e passaram a noite no estacionamento do complexo antes que as barracas militares fossem montadas.

"Graças a Deus, temos sido bem cuidados. Temos médicos, e instalaram banheiros e uma área de lavagem para nós. Não é fácil, mas é um pouco mais suportável", diz ela.

O apartamento dela não desabou, mas sofreu danos: o piso se deformou e as paredes racharam. Embora tenha passado por uma vistoria, Isasis não sabe se o imóvel é seguro ou se poderá voltar. "Tenho pavor de entrar no apartamento."

Desde o terremoto, as noites de Isasis têm sido difíceis, ela dorme muito pouco, e tanto ela quanto sua filha precisaram de apoio psicológico para lidar com o impacto emocional do tremor.


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