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    porto velho, quarta-feira 23 de setembro de 2026

Campanha esquenta no ataque, mas esfria no debate de ideias em Rondônia

Confrontos pessoais, ataques e contra-ataques ganham espaço enquanto propostas conhecidas voltam ao palanque na reta decisiva das eleições de 2026


Redação

Publicada em: 23/09/2026 11:13:47 - Atualizado

PORTO VELHO-RO: A campanha eleitoral de 2026 em Rondônia entrou definitivamente na fase do confronto. O tom subiu, os adversários passaram a mirar uns nos outros e, em alguns momentos, a disputa pelo Governo deixou o terreno das propostas para mergulhar em provocações, acusações e acertos de contas políticos.

Os debates realizados nos últimos dias são um retrato desse ambiente. No encontro promovido pelo Rondoniaovivo, em 18 de setembro, cinco candidatos estiveram frente a frente em um formato de confrontação direta, discutindo temas como saúde, educação, segurança, emprego e infraestrutura. Já no debate da SIC TV, realizado no dia 21, os seis postulantes ao Governo participaram, e alguns dos embates novamente foram marcados por provocações e respostas duras entre adversários.

A temperatura política aumentou. A qualidade do debate, porém, nem sempre acompanhou.

Entre uma troca de farpas e outra, aparecem propostas que o eleitor rondoniense conhece de campanhas anteriores: melhorar a saúde, recuperar estradas, fortalecer a segurança, gerar empregos, investir na educação e levar desenvolvimento ao interior. São compromissos importantes, mas que, quando apresentados sem detalhamento sobre recursos, prazos e execução, correm o risco de soar como um velho disco colocado novamente para tocar.

O eleitor quer saber mais.

Quer saber de onde virá o dinheiro. Quem vai executar. Em quanto tempo. Quais serão as prioridades. O que será cortado. O que será mantido. E, principalmente, por que aquilo que agora aparece como solução não foi resolvido antes por grupos e personagens que já tiveram participação na vida pública.

É justamente nesse ponto que a campanha parece perder profundidade.

Em vez de confrontar projetos de Estado, parte dos candidatos prefere confrontar biografias. Em lugar de desmontar tecnicamente a proposta do adversário, procura-se encontrar uma frase de efeito capaz de sobreviver alguns minutos nas redes sociais. O debate político corre o risco de ser transformado em uma sucessão de vídeos curtos, cortes, provocações e respostas calculadas para alimentar torcidas.

A eleição, porém, é para governar Rondônia — não para vencer discussão na internet.

Enquanto candidatos medem forças nos estúdios e nas redes sociais, continuam sobre a mesa problemas antigos e pesados: infraestrutura, saúde pública, segurança, desenvolvimento econômico, geração de empregos e as dificuldades enfrentadas pelos municípios do interior. Foram justamente essas algumas das áreas escolhidas para os confrontos promovidos pelo Rondoniaovivo.

Quanto mais a campanha se aproxima das urnas, maior deveria ser o espaço para respostas concretas. O eleitor precisa conhecer não apenas quem ataca melhor, mas quem apresenta propostas executáveis e explica como pretende colocá-las em prática.

A baixaria pode produzir manchetes. O confronto pode render audiência. O ataque pode viralizar. Mas nenhum deles administra hospital, recupera estrada, coloca policial na rua ou cria emprego.

No fim das contas, essa é a pergunta que começa a pairar sobre a eleição rondoniense de 2026: depois de tantos ataques, provocações e promessas conhecidas, qual projeto concreto cada candidato realmente oferece para os próximos quatro anos de Rondônia?

O barulho da campanha está alto. Falta saber se, no meio dele, o eleitor conseguirá ouvir alguma novidade.


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