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    porto velho, quarta-feira 28 de outubro de 2026

Porto Velho sai fortalecida das urnas, conquista espaço em Brasília, mas perde o comando do Estado

Com quase 370 mil eleitores, capital garante cinco das oito cadeiras de Rondônia na Câmara Federal, elege um senador e amplia sua força na Assembleia Legislativa


Redação

Publicada em: 28/10/2026 10:45:53 - Atualizado

PORTO VELHO-RO: Porto Velho saiu das eleições de 2026 com uma contabilidade política marcada por ganhos expressivos, algumas derrotas surpreendentes e uma nova configuração de poder. Dona de aproximadamente 29% do eleitorado rondoniense, a capital mostrou sua força nas urnas, conquistou posições estratégicas no Congresso Nacional e assegurou importante representação na Assembleia Legislativa. Entretanto, perdeu o controle direto do Palácio Rio Madeira, sede do Governo do Estado.

Com aproximadamente 367 mil eleitores aptos a votar, Porto Velho continua sendo o maior colégio eleitoral de Rondônia. É um contingente capaz de influenciar decisivamente as disputas majoritárias e determinar o futuro de candidaturas proporcionais. E foi justamente nessa segunda frente que a capital obteve seus resultados mais expressivos.

A principal perda política está no Governo do Estado. Com a saída do coronel Marcos Rocha (PSD), cujo mandato termina em janeiro de 2027, o comando do Executivo estadual passará ao senador Marcos Rogério (PL), eleito no primeiro turno e identificado politicamente com Ji-Paraná. Porto Velho deixa, assim, de contar com um governador cuja trajetória política foi construída na capital.

A compensação veio principalmente de Brasília. Dos oito deputados federais eleitos por Rondônia, cinco possuem suas principais bases políticas e eleitorais em Porto Velho. A capital garantiu a eleição de dois novos representantes, Jaime Gazola (Podemos) e Sofia Andrade (PL), além de assegurar a reeleição de Cristiane Lopes (Podemos), Maurício Carvalho (União Brasil) e Coronel Chrisóstomo (PL).

Isso significa que 62,5% da bancada federal rondoniense terá representantes com forte vinculação política à capital, um resultado que amplia consideravelmente sua capacidade de articulação junto aos ministérios, de apresentação de emendas parlamentares e de defesa de investimentos para o município.

No Senado, Porto Velho também tem motivos para comemorar. A eleição do médico Fernando Máximo (PL) devolve à capital uma representação diretamente vinculada à sua base eleitoral na Câmara Alta do Congresso Nacional. Ex-secretário estadual de Saúde e deputado federal, Máximo conquistou uma das duas vagas em disputa, encerrando um período em que Porto Velho não contava com senador de sua principal base política.

Na Assembleia Legislativa, os resultados igualmente demonstraram a força eleitoral da capital. Sete dos 24 deputados estaduais eleitos possuem bases políticas em Porto Velho, garantindo à cidade uma presença significativa nas decisões sobre o orçamento estadual, a fiscalização do Executivo e a aprovação de projetos que interferem diretamente na vida da população.

Embora sete cadeiras representem pouco menos de um terço da Assembleia, trata-se de uma bancada com potencial para exercer influência decisiva, especialmente quando estiverem em discussão demandas históricas da capital.

Entretanto, as urnas também produziram derrotas que chamaram a atenção dos observadores políticos. Uma delas foi a do ex-prefeito e ex-deputado federal Mauro Nazif, político de longa trajetória e nome conhecido do eleitorado porto-velhense, que não conseguiu transformar seu histórico de mandatos em votos suficientes para retornar à Câmara dos Deputados.

O resultado de Nazif demonstra que tradição política, conhecimento público e experiência administrativa já não representam garantias de sucesso eleitoral. O eleitorado mostrou disposição para prestigiar novas lideranças, ao mesmo tempo em que preservou parlamentares com bases consolidadas.

O balanço final revela uma situação curiosa: Porto Velho perde o comando do Governo do Estado, mas conquista uma representação parlamentar que poderá ser uma das mais influentes de sua história recente.

Resta saber se essa força numérica será transformada em força política. Afinal, eleger deputados e senador é apenas parte da missão. A outra, talvez a mais importante, será fazer com que essa representação trabalhe de maneira articulada para enfrentar os problemas estruturais de Porto Velho, especialmente nas áreas de saneamento, saúde, infraestrutura urbana, mobilidade e desenvolvimento econômico.

As urnas deram força à capital. Agora, caberá aos eleitos demonstrar se essa força será utilizada em benefício da população ou ficará restrita às disputas políticas e aos projetos individuais de poder.


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