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    porto velho, quarta-feira 4 de novembro de 2026

Equipe de transição prepara diagnóstico das contas e contratos de Rondônia

Equipes de transição avaliam contratos, despesas e situação financeira do Estado; futuro governo pretende reduzir custos da máquina pública...


Redação

Publicada em: 04/11/2026 11:17:53 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A transição de governo em Rondônia começa a entrar numa fase decisiva, deixando para trás os levantamentos preliminares para avançar na definição das primeiras medidas da administração do governador eleito Marcos Rogério (PL). O desafio é transformar as promessas da campanha eleitoral em ações concretas, especialmente na Saúde, considerada uma das áreas mais sensíveis da estrutura estadual.

À frente da articulação dos trabalhos, o deputado federal reeleito Lúcio Mosquini (PL) deverá apresentar ainda nesta semana os primeiros relatórios produzidos pelas equipes responsáveis por examinar a situação das diferentes secretarias e órgãos do Estado. Os diagnósticos servirão de base para a elaboração das prioridades administrativas e para as negociações em torno do Orçamento de 2027.

A intenção é que o futuro governo chegue ao Palácio Rio Madeira com um retrato das condições financeiras e operacionais da administração pública, identificando contratos que poderão ser revistos, despesas consideradas excessivas e setores que exigirão providências imediatas.

A Saúde deverá concentrar os maiores esforços nos primeiros 100 dias de governo. Uma das propostas em discussão é a instalação de um Gabinete de Crise, integrado por profissionais e técnicos especializados, com a missão de enfrentar os gargalos que dificultam o acesso da população a consultas especializadas, exames e procedimentos cirúrgicos.

A estrutura teria autonomia operacional para propor soluções emergenciais, simplificar procedimentos burocráticos e acelerar decisões administrativas. O objetivo é reduzir o tempo de espera dos pacientes e melhorar a capacidade de atendimento da rede estadual, compromisso assumido por Marcos Rogério durante a campanha.

Orçamento será o primeiro teste político

A execução dessas propostas, entretanto, dependerá de uma equação que envolve disponibilidade financeira, prioridades administrativas e entendimento com a Assembleia Legislativa.

Com uma previsão orçamentária superior a R$ 20 bilhões para 2027, o futuro governo terá de compatibilizar seus projetos com as obrigações constitucionais e com as diretrizes estabelecidas no Plano Plurianual (PPA) 2024–2027, elaborado durante a gestão de Marcos Rocha.

A legislação determina aplicações mínimas em áreas essenciais, como Saúde e Educação, além de assegurar os repasses constitucionais aos demais Poderes e órgãos autônomos. Isso significa que a nova administração não terá liberdade irrestrita para redistribuir recursos, exigindo planejamento e articulação política para ampliar investimentos considerados estratégicos.

Na repartição prevista para o orçamento estadual, o Poder Executivo concentra 74,89% dos recursos, enquanto o Judiciário responde por 11,29%, a Assembleia Legislativa por 4,77%, o Ministério Público por 4,98%, o Tribunal de Contas por 2,54% e a Defensoria Pública por 1,53%.

Outro componente importante será o orçamento destinado às emendas parlamentares. A previsão é de aproximadamente R$ 15 milhões por deputado estadual, com metade desse valor reservada obrigatoriamente à Saúde. Os montantes ainda poderão sofrer ajustes conforme o fechamento das contas de 2026.

Corte de gastos entra na agenda da transição

Além da reorganização das prioridades orçamentárias, o grupo de transição pretende abrir espaço financeiro para novos investimentos por meio da redução de despesas administrativas.

Segundo Lúcio Mosquini, a futura gestão deverá promover uma revisão dos contratos mantidos pelo Estado, acompanhada de medidas para diminuir gastos com cargos comissionados, diárias, deslocamentos e viagens oficiais.

A proposta é buscar economia dentro da própria estrutura governamental, redirecionando recursos para serviços considerados essenciais, especialmente o atendimento à população na rede pública de Saúde.

Essa estratégia também poderá representar uma mudança na organização administrativa do Estado, com a avaliação de estruturas, funções e despesas que hoje comprometem parte do orçamento de custeio.

Mais do que definir nomes para o primeiro escalão, a transição terá a responsabilidade de estabelecer quais problemas serão enfrentados imediatamente e quais dependerão de medidas de médio e longo prazo.

Para Marcos Rogério, que assumirá o governo em janeiro, os primeiros meses serão fundamentais para demonstrar capacidade de gestão e construir uma relação de confiança com a população e o Legislativo.

O desafio político e administrativo será fazer com que a promessa de uma máquina pública mais enxuta se traduza em resultados perceptíveis, principalmente para os milhares de rondonienses que aguardam atendimento na rede estadual de Saúde.


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