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porto velho, terça-feira 10 de fevereiro de 2026

Tradicionalmente associada a doenças como diabetes 2, infarto e alguns tipos de câncer, a obesidade também tem um impacto significativo nas doenças infecciosas, segundo um estudo com mais meio milhão de pessoas publicado na revista The Lancet. Os autores concluíram que a condição aumenta o risco de hospitalização e morte por infecções: uma em cada 10 mortes por enfermidades provocadas por micro-organismos pode estar relacionada ao excesso de peso.
A pesquisa analisou dados de 540 mil adultos acompanhados na Finlândia e no Reino Unido ao longo de mais de uma década. Os participantes foram classificados segundo o índice de massa corporal (IMC), divididos em peso saudável, sobrepeso e obesidade (graus I, II e III). Nenhum deles tinha histórico de infecção grave no início do acompanhamento.
Durante o período de seguimento, foram registrados quase 90 mil casos de infecções graves que levaram à internação hospitalar ou à morte. O resultado mostrou uma relação direta entre o aumento do IMC e o risco de complicações infecciosas.
Grau III
Pessoas com obesidade grau III (IMC igual ou superior a 40) tiveram risco quase três vezes maior de hospitalização ou morte por infecção quando comparadas àquelas com peso considerado saudável. Considerando qualquer grau da doença metabólica (IMC igual ou superior a 30), essa probabilidade foi cerca de 70% maior. A associação se manteve mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, nível socioeconômico, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, enfermidades respiratórias e câncer.
Além de avaliar o risco individual, os pesquisadores estimaram o impacto populacional da obesidade sobre as mortes por infecção usando dados do Global Burden of Disease, que reúne informações de 204 países, incluindo o Brasil. Segundo os cálculos, em 2018, antes da covid-19, 8,6% dos óbitos por doenças infecciosas no mundo poderiam ser atribuídos ao excesso de peso. Durante a pandemia, em 2021, esse percentual subiu para 15%. Em 2023, no período pós-pandêmico, a estimativa ficou em 10,8%.
Em números absolutos, isso significa que, em 2023, cerca de 600 mil mortes por infecção no mundo estariam relacionadas à obesidade, em um total estimado de 5,4 milhões de óbitos causados por agentes infecciosos naquele ano. Os autores destacam que, diante do crescimento contínuo da obesidade no mundo, a contribuição desse fator de risco para a carga global de doenças infecciosas tende a aumentar nas próximas décadas.
As estimativas variam entre regiões. Em 2023, a fração de mortes atribuíveis à obesidade foi mais alta no norte da África e Oriente Médio (22,5%) e mais baixa no sul da Ásia (4,1%). No ranking global, o Brasil aparece em 67º entre 204 países, com uma média de 17,2 óbitos por 100 mil habitantes, uma taxa 40% maior do que a mundial, estimada em 12,3 mortes por 100 mil em 2023.