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    porto velho, quarta-feira 11 de março de 2026

Até tu, Ipam?


Por Valdemir Caldas

11/03/2026 11:15:25 - Atualizado

É impressionante e, ao mesmo tempo, revoltante saber como Daniel Vorcaro conseguiu, em tão pouco tempo, montar e operar um esquema de corrupção altamente sofisticado sem ser incomodado por quem tem a responsabilidade de proteger a população contra a sanha malévola de gente da sua raça. O escândalo do Banco Master parece que não tem fim. Cada enxadada, um minhocão. O assalto aos cofres da Petrobrás é café pequeno perto da fraude financeira patrocinada pelo banco controlado por Vorcaro.

A resposta ao questionamento acima foi dada pela competente PF (Policia Federal), após realizar perícia técnica em um dos parelhos de celular do dono do Banco Master. Agora, sabe-se que a roubalheira só possível porque Vorcaro contou com a conivência de autoridades do mais alto escalão da República, políticos, empresários e servidores públicos desonestos, que não resistem à tentação do vil metal.

A roubalheira do Master entrou para a história como o maior rombo financeiro do país, responsável por um prejuizo de quase R$ 52 bilhões. Fundos de pensão de Institutos de Assistência e Previdência de Servidores Públicos estaduais e municipais (geralmente presididos por apaniguados e cabos eleitorais de políticos) despontam com alvos preferenciais da quadrilha.

Agora chega a notícia de que o Ipam (Instituto de Assistência e Previdência dos Servidores Públicos do Município de Porto Velho) teria investido uma grana preta em títulos podres no banco de Daniel Vorcaro, nos governos de Roberto Sobrinho (PT) e Mauro Nazif (PSB). A Câmara Municipal de Porto Velho teria convidado membros da atual diretoria para esclarecer o assunto. No fundo, o que desejam muitos políticos é aproveitar os holofotes para mostrarem que realmente estão preocupados com o Ipam. Todo mundo sabe que o objetivo é buscar promoção pessoal, construir uma estratégia para capitalizar dividendos eleitorais sobre o caso, uma vez que estamos em ano de eleições, e é quase certo que muitos com assentos na Casa pretendem disputar uma vaga para a Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados.

Será que o Ipam jogou dinheiro de aposentadorias e pensões no Banco Master? Ainda está na memória de muitos servidores e aposentados o caso do Banco Santos, que faliu em 2004. O Ipam depositou R$ 500 mil no Banco da Amazônia, que, por sua vez, transferiu para o Santos, sem autorização da direção do Ipam, que precisou entrar na Justiça para reaver o dinheiro devidamente corrigido.


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