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porto velho, sábado 7 de fevereiro de 2026

Brasília – O Partido dos Trabalhadores (PT), que vinha projetando com confiança o início da campanha presidencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rumo à reeleição em 2026, teve de recuar e adiar o lançamento oficial da pré-candidatura — um sinal claro de que o clima interno mudou e a legenda enfrenta agora um cenário de preocupação política e estratégica.
O anúncio veio durante as celebrações dos 46 anos de fundação do PT, em Salvador (BA), quando dirigentes petistas decidiram não transformar a festa em um ato de lançamento formal da chapa presidencial, conforme era esperado. O motivo central para o adiamento foi a falta de definição sobre o nome que ocupará a vaga de vice-presidente na chapa de Lula, considerado um elemento decisivo antes de qualquer anúncio oficial de campanha.
A decisão expôs uma incerteza que contrasta com o otimismo exibido nos últimos meses nos bastidores petistas. O vice — cuja definição envolve negociações com partidos da base aliada e do centro — ainda não foi escolhido, apesar de nomes como o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro e ex-prefeito Fernando Haddad, e da ministra Simone Tebet (MDB) circularem nos corredores políticos.
Essa indefinição — combinada com a necessidade de costurar alianças amplas e estratégicas para enfrentar um ano eleitoral cada vez mais competitivo — revela um PT mais preocupado com a formação de uma coalizão sólida do que com o cronograma simbólico de lançamento da candidatura. Especialistas políticos observam que a decisão de adiar o anúncio é um reconhecimento tácito das dificuldades em consolidar apoios e garantir uma vantagem clara nas pesquisas e nos palanques regionais.
A surpreendente cautela também ocorre em um momento em que a oposição tenta reorganizar suas forças em torno de alternativas ao petismo, e em que figuras políticas de centro e direita ampliam sua presença e articulações eleitorais para 2026. Em meio a esse ambiente, a estratégia do PT — embora ainda centrada em Lula — passa a ser marcada mais pela gestão de riscos e negociações internas do que por demonstrações externas de força ou hegemonia eleitoral.
Assim, o que era aguardado como um marco de confiança para a campanha presidencial transformou-se em um sinal de alerta sobre os desafios que o PT terá pela frente — desde a composição da chapa até a construção de alianças capazes de resistir à pressão política e às exigências de um calendário eleitoral competitivo.