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    porto velho, segunda-feira 16 de fevereiro de 2026

Escola que homenageou Lula e ridicularizou evangélicos pode ter praticado intolerância

O Carnaval sempre foi espaço de irreverência e crítica, mas liberdade artística não pode servir de escudo para o preconceito.


uol

Publicada em: 16/02/2026 09:44:36 - Atualizado

BRASIL - O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, ultrapassou os limites da crítica política e entrou em um terreno perigoso: o da ridicularização religiosa. Ao representar evangélicos como “neoconservadores em lata de conserva”, a escola não fez sátira social — promoveu estigmatização de um grupo religioso que reúne milhões de brasileiros.

O Carnaval sempre foi espaço de irreverência e crítica, mas liberdade artística não pode servir de escudo para o preconceito. Quando uma religião específica é caricaturada como atrasada, opressora ou descartável, o que se vê não é arte, mas intolerância travestida de manifestação cultural. Se o alvo fosse qualquer outro grupo religioso, a reação pública seria imediata — e com razão.

A situação se agrava pelo contexto político. O desfile homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é candidato à reeleição, em pleno ano eleitoral. A mensagem transmitida é clara: quem apoia o governo é celebrado; quem se opõe — como grande parte do eleitorado evangélico — é ridicularizado publicamente.

Mais grave ainda é o fato de a escola ter recebido recursos ligados à Embratur, um órgão federal. Isso levanta questionamentos inevitáveis: dinheiro público pode ser usado para atacar um segmento religioso e reforçar uma narrativa política favorável ao governo? Onde fica a neutralidade do Estado diante da diversidade religiosa prevista na Constituição?

O episódio revela uma contradição evidente. O mesmo campo político que se apresenta como defensor da democracia, da diversidade e do respeito às minorias silencia quando uma maioria religiosa é alvo de escárnio. Evangélicos não são caricaturas, nem massa de manobra, nem inimigos culturais. São cidadãos, contribuintes e eleitores.

Transformar o Carnaval em palco de hostilidade religiosa e campanha política velada não fortalece a democracia — apenas aprofunda divisões e normaliza o desrespeito. O Brasil precisa de mais diálogo e menos desprezo, especialmente quando o preconceito vem embalado como arte e financiado com recursos públicos.


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