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porto velho, segunda-feira 16 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO-RO: A corrida pelo Palácio Rio Madeira já começou — e o jogo é pesado. A nove meses das eleições de 2026, Rondônia vive um ambiente de articulações intensas, alianças em construção e movimentos estratégicos nos bastidores. O fim do ciclo do governador Marcos Rocha (PSD) abre espaço para uma disputa fragmentada, com nove pré-candidatos tentando ocupar o vácuo de poder e consolidar musculatura eleitoral.
O cenário é plural: há senadores, ex-deputados, prefeitos, nomes da segurança pública e representantes da iniciativa privada. Cada qual com seu discurso, base regional e estratégia própria. A seguir, o perfil equilibrado das lideranças que hoje compõem o tabuleiro sucessório.
Marcos Rogério (PL)
Senador da República, com origem no jornalismo e formação em Direito, construiu trajetória no Legislativo passando pela Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado. Ganhou projeção nacional em comissões parlamentares e tornou-se um dos principais nomes do campo conservador. Em 2022, disputou o governo e chegou ao segundo turno. Mantém capital político consolidado na oposição e depende de articulações estratégicas para ampliar sua base estadual.
Expedito Netto (PT)
Ex-deputado federal com base em Rolim de Moura, tem trajetória vinculada a uma tradicional família política do estado. Atuou na Câmara dos Deputados com trânsito entre diferentes blocos partidários. Atualmente ocupa cargo no Governo Federal na área da pesca e filiou-se ao PT em movimento de reposicionamento político. Busca consolidar a presença da legenda em Rondônia, enfrentando o desafio de harmonizar sua trajetória anterior com o novo campo ideológico.
Hildon Chaves (PSDB/União)
Ex-promotor de Justiça e empresário, governou Porto Velho por dois mandatos. Sua gestão foi marcada por foco em infraestrutura urbana, equilíbrio fiscal e reorganização administrativa. Deixou a prefeitura com alto índice de aprovação. Trabalha para ampliar reconhecimento no interior do estado e converter experiência administrativa em capital eleitoral estadual.
Adailton Fúria (PSD)
Ex-deputado estadual e atual prefeito de Cacoal, representa uma geração mais jovem da política do interior. Atua com discurso voltado ao desenvolvimento regional, especialmente nos setores do café e da pecuária. Sua base é concentrada no eixo de Cacoal e entorno, e o desafio é expandir capilaridade política para além da região central do estado.
Flori Cordeiro (Podemos)
Delegado da Polícia Federal de carreira, ganhou notoriedade em operações de combate à corrupção antes de ingressar na política. Foi eleito prefeito de Vilhena com discurso de moralização administrativa. Atua com forte ênfase na segurança pública e na legalidade, representando politicamente o Cone Sul e apostando na imagem técnica e institucional.
Coronel Braguin
Oficial da Polícia Militar de Rondônia, ocupou o Comando-Geral da corporação. Sua pré-candidatura dialoga com o eleitorado que valoriza quadros oriundos das forças de segurança. Defende disciplina institucional, fortalecimento das polícias e enfrentamento direto à criminalidade como eixo central de campanha.
Sérgio Gonçalves (União)
Atual vice-governador e empresário com forte ligação ao agronegócio. Atua na interlocução com o setor produtivo e na gestão interna do Executivo estadual. Trabalha para consolidar imagem de continuidade administrativa, dependendo da configuração política do grupo governista e da definição institucional do atual governador.
Paulo Andrade
Empresário do setor de educação superior, representa a vertente da gestão privada aplicada ao setor público. Defende modernização administrativa, eficiência fiscal e fortalecimento do ensino técnico como vetor de desenvolvimento econômico. Busca se posicionar como alternativa de perfil técnico e empresarial.
Samuel Costa (REDE)
Advogado e jornalista, tem trajetória ligada a movimentos sociais e participação em disputas eleitorais anteriores na capital. Defende pautas progressistas, modernização institucional e fortalecimento de políticas públicas voltadas à juventude e aos direitos sociais. Apresenta-se como voz de renovação dentro do campo da esquerda.
O tabuleiro está montado. As peças já se movimentam. Nos próximos meses, alianças, federações e estratégias de sobrevivência política irão definir quem realmente terá fôlego para transformar pré-candidatura em candidatura competitiva. Em Rondônia, 2026 começou antes do calendário oficial.