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porto velho, segunda-feira 16 de fevereiro de 2026

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a demonstrar preocupação nos bastidores do governo após o desfile de uma escola de samba que homenageou o chefe do Executivo durante o Carnaval. Segundo relatos de interlocutores do Planalto, a avaliação interna é de que a apresentação pode ter ultrapassado o limite entre manifestação cultural e promoção política, o que acendeu um alerta sobre possíveis questionamentos na Justiça Eleitoral.
O temor gira em torno de uma eventual interpretação do Tribunal Superior Eleitoral de que o desfile configure propaganda eleitoral antecipada, uma vez que o presidente é potencial candidato à reeleição. Reservadamente, aliados teriam admitido que a estratégia foi equivocada. “Foi um erro”, resumiu um assessor ouvido sob condição de anonimato.
A preocupação aumentou após partidos de oposição e lideranças políticas anunciarem que levariam o caso ao TSE e ao Ministério Público Eleitoral. As representações alegam que o enredo exaltou a imagem do presidente de forma explícita, em um evento de grande alcance popular e com ampla transmissão televisiva, o que poderia ferir a legislação eleitoral.
Outro ponto sensível foi a cobertura televisiva do desfile. Críticos apontam que a transmissão da TV Globo teria suavizado ou omitido trechos mais explícitos do conteúdo político do enredo, evitando enquadramentos e comentários que evidenciassem a natureza promocional da homenagem. A postura da emissora também entrou no radar de adversários do governo, que defendem maior transparência na cobertura de eventos com potencial impacto eleitoral.
Nos bastidores do Planalto, a avaliação é que o episódio gerou um desgaste desnecessário e pode abrir precedente para novos questionamentos jurídicos em um ano pré-eleitoral. Assessores defendem, agora, uma postura mais cautelosa para evitar associações diretas entre eventos culturais financiados com recursos públicos e a imagem do presidente.
O caso deve ser analisado pela Justiça Eleitoral nas próximas semanas, e a decisão poderá servir de parâmetro para delimitar até onde vai a liberdade cultural e onde começa a propaganda política fora do período oficial de campanha.