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porto velho, quinta-feira 12 de março de 2026

O governo federal anunciou a isenção do PIS e da Cofins sobre o diesel como medida para evitar um aumento imediato no preço do combustível no país. A decisão ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, que vem pressionando os custos de energia e transporte no Brasil.
A estratégia do governo busca amortecer o impacto dessa elevação e impedir que o reajuste chegue rapidamente às bombas, o que poderia gerar reflexos diretos na inflação, no frete e no custo de produção de diversos setores da economia.
A medida, no entanto, lembra ações adotadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando também foram reduzidos ou zerados tributos sobre combustíveis para conter a escalada dos preços. Naquele período, a iniciativa foi defendida como forma de aliviar o bolso da população diante da disparada internacional do petróleo, mas também gerou críticas por reduzir a arrecadação federal.
Agora, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão volta a utilizar o mesmo instrumento tributário para conter a pressão sobre os combustíveis. A diferença, segundo analistas econômicos, é que o cenário fiscal atual é considerado mais delicado.
Especialistas apontam que o país já convive com forte pressão sobre as contas públicas, com aumento de despesas obrigatórias e dificuldades para ampliar receitas sem elevar impostos. Nesse contexto, medidas de desoneração — como a retirada de tributos sobre combustíveis — acabam reduzindo ainda mais a arrecadação do governo.
Economistas alertam que o Brasil caminha para uma crise fiscal projetada para os próximos anos, com projeções indicando um quadro mais crítico a partir de 2027, quando o espaço no orçamento federal tende a ficar ainda mais limitado. Nesse cenário, políticas que aliviam preços no curto prazo podem ampliar desafios fiscais no médio e longo prazo.
Assim, embora a decisão de zerar PIS e Cofins do diesel possa ajudar a conter o aumento imediato do combustível, ela reacende o debate sobre sustentabilidade fiscal, repetindo uma estratégia já utilizada em governos anteriores, mas agora em um momento em que as contas públicas enfrentam maior pressão estrutural.