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porto velho, sábado 14 de março de 2026

Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta sexta-feira, 13, para manter a prisão de Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A Segunda Turma da Corte iniciou hoje o julgamento virtual sobre a manutenção da prisão preventiva do banqueiro.
Relator do caso, Mendonça foi o primeiro a votar e foi acompanhado por Fux. O julgamento começou às 11h e tem duração prevista de uma semana, com término às 23h59 da próxima sexta-feira, 20. Além dos dois magistrados, também votarão os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques. Integrante da Segunda Turma, Dias Toffoli declarou-se suspeito e, por isso, não participará da análise do caso. Com a ausência, o julgamento será decidido apenas pelos quatro ministros restantes.
Se houver empate, o artigo 146 do Regimento Interno do Supremo prevê que vale a decisão "in dubio pro reo", ou seja, o resultado beneficiará Vorcaro, o que pode levar à soltura do banqueiro.
No julgamento, a Segunda Turma também analisará se permanecem válidas as prisões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do banqueiro, e de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal (PF). Segundo as investigações, ele teria ajudado a obter acesso a informações sigilosas relacionadas ao caso. Mendonça e Fux também votaram pela manutenção da prisão de ambos.
Por que Vorcaro está preso?
A PF citou os argumentos de que Daniel Vorcaro e seus aliados atuaram como "profissionais do crime" com a captação ilícita de servidores públicos, além da contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas para pedir a prisão preventiva do banqueiro e de outras pessoas a Mendonça. Vorcaro foi detido pela segunda vez na manhã do dia 4 de março, em São Paulo.
"Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário", escreveu a PF.
Em seguida, a corporação acrescentou: "Buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a "Turma"), como comprovado nesta representação policial". O trecho consta na decisão de Mendonça à qual o Terra teve acesso.
Ainda de acordo com o documento, a PF afirma que o "intento de Daniel Vorcaro não pode prosperar", porque a investigação estaria em risco e inclusive a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração.