• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, quarta-feira 18 de março de 2026

'Qualquer hora me mata', disse PM encontrada com tiro na cabeça em mensagem sobre marido

Soldado Gisele Alves Santana planejava deixar o casamento por conta de comportamentos violentos do ex-marido, afirma advogado


terra

Publicada em: 17/03/2026 10:13:25 - Atualizado


BRASIL: A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana ganhou novos elementos nesta semana. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido dela, já foi alvo de decisões judiciais e registros por ameaças, perseguição e assédio moral, incluindo uma condenação por abuso de autoridade contra uma subordinada. Além disso, mensagens enviadas por Gisele a uma amiga e a seu pai indicam que ela vivia um relacionamento conturbado e que planejava deixar o casamento por medo de violência.

Nesta terça-feira, 17, o Terra obteve acesso a um áudio enviado pela soldado a seu pai, em que ela pede ajuda para buscar uma casa mais próxima de sua família. De acordo com o advogado José Miguel da Silva Junior, este seria um indício de que ela planejava deixar o marido.

"Pai, pra mim é melhor aí na rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor", diz a policial na gravação.

Já em mensagem de texto, enviada a uma amiga, Gisele se queixou de ciúmes excessivo por parte de Neto.

"Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego", disse a PM.

Mensagem revela queixa de ciúmes de PM encontrada morta: 'Qualquer hora me mata'

Segundo o advogado da família de Gisele, o ex-marido da vítima tem um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres. Registros policiais e decisões judiciais em que Neto esteve envolvido foram revelados pelo advogado à reportagem, e nelas constam episódios de ameaças contra ex-companheiras e denúncias de assédio contra policiais militares mulheres subordinadas ao oficial.

Em uma das denúncias, de 2010, "uma vítima, sua ex-mulher, diz que vem sofrendo vários problemas de perturbação de sua tranquilidade. (...) A ex-mulher se socorre de medida protetiva e diz o seguinte: 'o autor mantém vigilância sobre a vítima, impedindo que ela se relacione com outras pessoas, ameaçando inclusive de morte'", disse o advogado.

Em outra, Neto "decidiu movimentar quatro policiais femininas para outro local de trabalho como forma de punição, sem apresentar motivos legais para a transferência. Passando a perseguir o efeito feminino".

O advogado responsável pela defesa do tenente-coronel foi procurado pelo Terra para comentar a revelação das decisões judiciais e as mensagens de Gisele, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.


Fale conosco