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porto velho, quinta-feira 21 de maio de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu o publicitário Eduardo Fischer para comandar sua pré-campanha ao Palácio do Planalto em meio à maior crise da candidatura até agora. A troca ocorre depois da repercussão dos áudios e pagamentos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Fischer assume com carta branca para mexer na estrutura de comunicação, trocar integrantes da equipe e reorganizar a estratégia digital e de imprensa. A missão, segundo aliados de Flávio, é conter o desgaste político e recuperar a confiança do mercado, do setor produtivo e de parte da classe política após o escândalo envolvendo o Banco Master.
A primeira mudança já aconteceu. Rodrigo Saccone deixou a assessoria de imprensa da campanha na quarta-feira (20), embora siga ligado ao coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL). Também há expectativa de mudanças na área digital.
Eduardo Fischer é um dos nomes mais conhecidos da publicidade brasileira dos anos 1990 e 2000. Fundador da agência Fischer & Justus, ao lado de Roberto Justus, ele criou campanhas que marcaram época na televisão brasileira.
Entre os trabalhos mais conhecidos estão “Brahma Número 1”, que popularizou o gesto do dedo levantado durante a Copa de 1994, o bordão “Experimenta”, da Nova Schin, e a volta do “baixinho da Kaiser”.
O publicitário também comandou campanhas para empresas como Volkswagen, JBS, Melitta e Sabesp.
Ao longo da carreira, acumulou mais de 700 prêmios nacionais e internacionais e entrou para o Hall da Fama do FIAP, festival ibero-americano de publicidade.
Apesar do peso no mercado publicitário, Fischer tem pouca experiência eleitoral. Seu principal trabalho político foi na campanha presidencial de Álvaro Dias (MDB) em 2018. O então candidato terminou a disputa com 0,8% dos votos válidos.
Publicidade
Nos bastidores da pré-campanha bolsonarista, a chegada do publicitário divide opiniões. Integrantes do grupo afirmam reservadamente que Fischer estaria “desatualizado” em relação às novas dinâmicas digitais e ao modelo de campanhas hipersegmentadas nas redes sociais.
Ainda assim, o entorno de Flávio aposta no peso do nome e na experiência em gestão de imagem para tentar reorganizar a candidatura.
A mudança no marketing foi precipitada pela crise causada pela revelação de transferências milionárias ligadas ao filme “Dark Horse”, documentário sobre Jair Bolsonaro.
Reportagem do The Intercept Brasil informou que o empresário Daniel Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção, valor que faria parte de um acordo total estimado em R$ 134 milhões.