Fundado em 11/10/2001
porto velho, sábado 30 de maio de 2026

BRASIL: Deolane Bezerra, presa acusada de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de receber valores de uma transportadora criada pelo grupo, pretendia adquirir um fundo de investimentos em Dubai antes de ser capturada. Segundo o relatório da Operação Vérnix, concluído nesta sexta-feira (29/5) pela Polícia Civil, o plano de Deolane era internacionalizar a estrutura empresarial e facilitar o aporte de capital estrangeiro nos negócios da facção.
O movimento internacional era a fase final de um plano de reorganização das empresas vinculadas ao PCC, que buscava criar holdings em estrutura de “cascata” para dificultar a localização do dinheiro apontado como fruto do crime organizado.
Com esse objetivo, a advogada teria criado 35 empresas de fachada com endereço registrado no mesmo local, uma casa de poucos metros quadrados em Martinópolis, no interior de São Paulo, para camuflar a origem do dinheiro.
Deolane foi presa na mansão onde mora em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 21 de maio, e foi encaminhada ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Ela passou por audiência de custódia de maneira virtual e teve a prisão preventiva mantida pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau.
A advogada passou a ser alvo da investigação após análises financeiras identificarem movimentações consideradas incompatíveis e depósitos suspeitos em contas vinculadas a ela entre 2018 e 2021. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a influenciadora teria recebido dezenas de transferências fracionadas, prática frequentemente usada para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Os investigadores apontam que mais de 50 depósitos foram realizados em contas ligadas a Deolane, totalizando cerca de R$ 700 mil.
A Operação Vérnix, da Polícia Civil com o Ministério Público de São Paulo, é fruto de uma investigação que começou em 2019. Na ocasião, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
Após a descoberta, a Polícia Civil descobriu um trecho que citava uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques da facção.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, e deu origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.