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porto velho, sábado 30 de maio de 2026

BRASIL: Responsáveis por administrar milhões de reais oriundos do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e de outras atividades criminosas, os chamados “tesoureiros” ocupam posições importantes nas maiores facções do país. Investigações conduzidas por polícias civis de diferentes estados mostram que facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP) contam com estruturas financeiras sofisticadas, comparáveis às de empresas.
Entre os mecanismos utilizados estão empresas de fachada, imóveis de luxo, veículos de alto padrão, depósitos fracionados, contas bancárias de terceiros, plataformas digitais e até projetos esportivos utilizados para dar aparência de legalidade ao dinheiro do crime.
A coluna reuniu os principais nomes apontados pelas autoridades como responsáveis pelos cofres dessas facções.
Considerado uma das principais lideranças do CV, Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó” foi alvo da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) nesta sexta-feira (29/5), apontado como responsável por coordenar uma estrutura que movimentou mais de R$ 453 milhões provenientes do tráfico de drogas.
A ação faz parte das investigações da Operação Contenção, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE-CAP).
Segundo os investigadores, Rabicó atua como uma espécie de tesoureiro-geral da facção, coordenando empresas de fachada, ocultação patrimonial, movimentações bancárias e o uso de terceiros para esconder a origem dos recursos.
As apurações identificaram empresas ligadas aos setores de reciclagem e comércio de sucatas utilizadas para movimentar valores milionários.
Também foram detectadas transferências entre pessoas físicas e jurídicas, depósitos fracionados, emissão de notas fiscais falsas e circulação de recursos por contas bancárias de passagem.
Relatórios financeiros analisados pelos investigadores apontam que mais de R$ 453 milhões passaram pelo esquema.
Durante a ação desta sexta, Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira do tesoureiro, foi presa.
Apesar das diversas condenações e de uma extensa ficha criminal, Rabicó permanece foragido desde 2019. Aos 61 anos, ele acumula passagens por homicídio, tentativa de homicídio, tráfico de drogas, associação criminosa, organização criminosa e crimes relacionados a armas de fogo.
Em 2014, investigações já haviam atribuído a ele mais de R$ 3 milhões encontrados escondidos em tonéis enterrados em áreas de mata nas comunidades da Mangueira e do Salgueiro, no Rio de Janeiro, além de drogas e armamentos.
Condenado por lavar dinheiro do tráfico para o CV em Mato Grosso, Paulo Witer Farias Paelo, de 38 anos, é apontado pela Polícia Civil como um dos principais operadores financeiros da facção no estado.
Conhecido pelo apelido de “WT”, ele teria liderado um esquema estruturado de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 65 milhões na aquisição de imóveis, veículos e outros bens.
Após quase dois anos de investigação, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) concluiu que Paulo Witer utilizava parentes, comparsas e “testas de ferro” para ocultar a origem dos recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a PCMT, a estrutura criminosa também investia em iniciativas voltadas à comunidade como forma de fortalecer a presença da facção em determinadas regiões. Entre as estratégias identificadas estavam doações de cestas básicas, criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo.
As investigações apontaram ainda que WT levava uma rotina incompatível com sua condição. Antes de voltar ao regime fechado, ele cumpria pena no semiaberto com uso de tornozeleira eletrônica.
Mesmo monitorado, teria burlado diversas vezes o sistema para realizar viagens de luxo. Em dezembro de 2023, por exemplo, a tornozeleira indicava que ele permanecia em Cuiabá quando, na realidade, passava o réveillon no litoral de Santa Catarina, onde se hospedou em locais de alto padrão e chegou a realizar um salto de paraquedas.
A polícia identificou ainda viagens para o Rio de Janeiro e Maceió, sempre com hospedagens em hotéis à beira-mar e estabelecimentos considerados de luxo.
Preso desde abril de 2024, Paulo Witer permanece custodiado na ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso. Em decisão de março de 2025, a Justiça negou pedido da defesa para flexibilizar seu isolamento, após informações de que ele continuaria repassando ordens ao núcleo financeiro da facção mesmo atrás das grades.
No PCC, o principal nome apontado como responsável pelas finanças da facção é Alex Amaro de Oliveira, de 40 anos, conhecido como “Barba”.
Ele foi preso pela Polícia Civil de São Paulo em 25 de junho de 2025 durante uma investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Santos. Segundo a apuração, Barba era responsável por receber e redistribuir valores provenientes de pontos de tráfico espalhados pela capital paulista, ABC e Baixada Santista.
As investigações apontam que ele controlava ao menos três biqueiras ligadas ao PCC na região da Favela da Felicidade, na zona sul de São Paulo.
Cada ponto de venda de drogas faturava entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por dia. Somados, os três locais geravam uma arrecadação diária de aproximadamente R$ 150 mil.