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porto velho, domingo 30 de agosto de 2026

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, propõe mudanças na estrutura e no funcionamento do Poder Judiciário em seu plano de governo para o período de 2027 a 2030. Entre as medidas estão a redução das competências do Supremo Tribunal Federal (STF), a limitação das decisões individuais de ministros e alterações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
As propostas estão reunidas no capítulo “Brasil que Cumpre a Constituição”, no documento intitulado “Para o Brasil vencer o atraso — Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030”, que possui 76 páginas.
Segundo o plano, o STF teria acumulado funções consideradas excessivas. A proposta é concentrar a atuação da Corte no papel de Tribunal Constitucional, com maior valorização das decisões tomadas pelo colegiado.
Uma das principais propostas é acabar com as competências criminais originárias do Supremo. A ideia apresentada é transferir para outras instâncias do Judiciário, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os Tribunais Regionais Federais (TRFs), processos criminais contra autoridades que atualmente, em determinadas situações, são julgadas diretamente pelo STF.
O próprio plano cita parlamentares entre os possíveis atingidos pela mudança. Como essas competências estão previstas na Constituição Federal, a alteração dependeria da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pelo Congresso Nacional.
O plano também prevê limitar as chamadas decisões monocráticas, tomadas individualmente por ministros do STF. A proposta é privilegiar decisões colegiadas, aumentando o peso dos julgamentos realizados pelo conjunto dos ministros.
O documento também defende uma presunção de constitucionalidade do processo legislativo, com o objetivo declarado de impedir que uma decisão individual do Judiciário se sobreponha às decisões tomadas pelo Congresso. O plano, entretanto, não detalha em quais situações as decisões individuais seriam proibidas ou restringidas nem quais exceções seriam mantidas.
Outra frente de mudança envolve os instrumentos utilizados para o controle de constitucionalidade. O plano propõe rever o alcance das Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPFs) e modificar as regras sobre quem pode apresentar ADPFs, Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) e Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs).
O documento não especifica, porém, quais autoridades ou entidades deixariam de ter legitimidade ou quais poderiam passar a apresentar essas ações.
Flávio Bolsonaro também propõe estabelecer uma quarentena de um ano para ministros de Estado antes que possam ser indicados ao Supremo Tribunal Federal.
A proposta significa, em termos simples, impedir que uma pessoa que acabou de ocupar o cargo de ministro de Estado seja imediatamente indicada ao STF. Segundo o plano de governo de Flávio Bolsonaro, a ideia é estabelecer uma quarentena de 1 ano entre o fim do cargo de ministro de Estado e uma eventual indicação ao Supremo.