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porto velho, domingo 30 de agosto de 2026

A optometrista Evellyn Caroline, de 33 anos, noiva do guarda civil metropolitano Pedro Paulo José Maria, de 43, relatou ao iG que o companheiro dizia não ter apoio da corporação para tratar problemas de saúde mental. Pedro morreu em junho deste ano, e, segundo Evellyn, a causa da morte está sendo investigada pela própria Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Desde 8 de julho, o iG tenta entrevistar a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Lopes Bussacos para comentar sobre as reportagens realizadas sobre casos de saúde mental envolvendo a corporação, as diferenças entre as bases da periferia e do Centro de São Paulo e o fato de a maior parte das inspetorias funcionar em sedes improvisadas, mas não obteve respostas.
Em outubro de 2025, após uma tentativa de suicídio, Pedro teria sido afastado das atividades nas ruas e realocado para uma função interna na corporação. Durante o período, ficou sem acesso ao armamento e passou por cerca de um mês de acompanhamento psicológico.
Após esse período, o guarda teria recebido alta e sido considerado apto a retornar às atividades nas ruas.
Eu creio que houve uma falha, sim. Sabendo de tudo isso, dispensaram ele com um mês para a rua, dispensaram ele da terapia. A psicóloga não acompanhou mais. Ele recebeu um laudo dizendo que ele estava apto para voltar às atividades e ele não estava. Evellyn Caroline, noiva do GCM Pedro Paulo
Segundo a noiva, após a morte de Pedro, a família não recebeu suporte da corporação. Ela também tenta ter acesso ao laudo que autorizou o retorno do guarda às atividades externas, mas afirma que ainda não recebeu o documento nem uma resposta da GCM.
Evellyn conta que Pedro também relatava a ela que outros guardas enfrentavam problemas relacionados à saúde mental e que, na avaliação dele, a corporação não oferecia suporte suficiente aos servidores.
Eu acho que falta eles [da corporação] olharem. Porque não era só ele. Ele comentava comigo dos colegas que estavam passando por problema psicológico e ele não foi o único que se suicidou. Ele gostava muito da equipe dele, eles eram muito unidos, só que eu acho que eles não tinham suporte. Evellyn Caroline, noiva do GCM Pedro Paulo
Pedro atuava na Ronda Ostensiva Municipal (Romu), força especializada da Guarda Civil Metropolitana. A base onde trabalhava ficava na Vila Prudente, na Zona Leste de São Paulo.
Um levantamento obtido com exclusividade pelo iG mostra que, desde 2021, foram registrados 15 suicídios e quatro tentativas entre guardas civis metropolitanos de São Paulo. Somente em 2025 e até julho de 2026, foram registradas quatro mortes em cada ano.
Além dos casos de suicídio, 6.932 licenças médicas foram concedidas a GCMs da capital paulista entre janeiro de 2021 e 16 de julho de 2026. No mesmo período, mais de 2,3 mil servidores precisaram se afastar por motivos relacionados à saúde mental.
O psicólogo e mestre em saúde mental com foco em servidores da segurança pública, Carlos Jean, avalia que o adoecimento mental entre os agentes é resultado de uma combinação de fatores. Entre eles, cita o endividamento, a falta de plano de carreira e as escalas excessivas, que ultrapassam a carga de trabalho e contribuem para o desgaste físico e emocional.
Embora os afastamentos relacionados à saúde mental tenham atingido aproximadamente um em cada três guardas no período, Jean afirma que muitos agentes evitam chegar a esse ponto. Segundo ele, há o receio de serem vistos como um “problema” dentro da instituição, além do impacto financeiro provocado pelo afastamento, já que o servidor pode perder parte da remuneração.
A maioria dos agentes até identificam a necessidade [de afastamento]. Eles sentem que estão precisando. Só que o afastamento pode trazer prejuízos financeiros porque, na maioria das instituições, eles perdem parte do salário. Então, automaticamente, pensam: 'Se eu for afastado, vou perder esse benefício'. Psicólogo e mestre em saúde mental, Carlos Jean