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    porto velho, quinta-feira 3 de setembro de 2026

Vorcaro quer delatar diretor da PF indicado por Lula e diz que foi ameaçado de morte

Banqueiro prestou depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, e fez graves revelações


veja

Publicada em: 02/09/2026 16:33:17 - Atualizado


Ex-dono do Banco Master prestou depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, e afirmou que sofreu ameaças durante transferência para Brasília; ele também acusa integrantes da Polícia Federal de dificultarem uma possível delação premiada

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master, relatou ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), episódios que classificou como tortura psicológica, maus-tratos e ameaças durante o período em que esteve sob custódia da Polícia Federal (PF).

O depoimento foi realizado na semana passada, a pedido da defesa de Vorcaro, e teve o conteúdo gravado em vídeo. Segundo informações divulgadas pela revista Veja, o banqueiro afirmou que os supostos abusos teriam começado durante sua transferência de avião para Brasília, após sua prisão em março deste ano.

De acordo com o relato, Vorcaro teria sido colocado em um compartimento durante o transporte aéreo e ouvido ameaças de que poderia ser lançado da aeronave. Segundo a versão apresentada por ele, agentes teriam batido no compartimento onde estava e afirmado que poderiam jogá-lo do avião e posteriormente alegar que ele havia cometido suicídio.

Acusações envolvendo possível delação

Além dos supostos episódios de violência, Vorcaro afirmou que encontrou dificuldades para avançar em uma eventual colaboração premiada. Ele teria alegado que existiria uma articulação entre instituições para impedir que revelasse informações sobre autoridades e outros fatos que, segundo sua versão, poderiam contribuir com as investigações.

O ex-banqueiro também citou nominalmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo o relato divulgado pela Veja, Vorcaro afirmou que Rodrigues teria atuado para dificultar uma possível delação na qual seriam mencionadas relações mantidas pelo banqueiro com integrantes da própria PF.

“Tenho muito a contribuir relatando os fatos e a verdade, mas ninguém quer me ouvir. Uma loucura”, afirmou Vorcaro durante o interrogatório gravado em vídeo, segundo a publicação.

A defesa teria solicitado a oitiva diante da percepção de Vorcaro de que haveria um suposto “acordão” entre instituições para impedir que ele relatasse crimes envolvendo autoridades e obtivesse benefícios judiciais. A existência dessa articulação, contudo, é uma alegação do próprio banqueiro e não foi apresentada como fato comprovado.

Depoimento ocorreu sem participação da PF

O depoimento foi realizado no gabinete de André Mendonça sem a presença de integrantes da Polícia Federal. O ministro confirmou a realização da audiência e afirmou que a ausência dos policiais teve relação com as alegações de graves intimidações feitas pela defesa.

Segundo Mendonça, o ato foi conduzido por um juiz auxiliar de seu gabinete, com participação do Ministério Público. O ministro também afirmou que o conteúdo da audiência está protegido por sigilo e negou que tenham sido tratados assuntos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

A ausência da PF foi justificada como uma medida destinada a preservar a integridade do depoente, especialmente diante das acusações apresentadas contra agentes responsáveis pela investigação.

PF e PGR contestam versão

As acusações de Vorcaro são contestadas por integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, investigadores afirmam que o ex-banqueiro não teria apresentado, até o momento, elementos concretos capazes de comprovar os supostos maus-tratos.

Integrantes das instituições também avaliam que as acusações poderiam estar relacionadas a uma tentativa de reabrir negociações para uma colaboração premiada.

O caso ocorre em meio a uma nova fase de tensão envolvendo as investigações sobre o Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com autoridades. Relatórios da PF e mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro passaram a expor contatos entre ele e integrantes do alto escalão dos Poderes da República, aumentando a pressão sobre as investigações.

As acusações de tortura e ameaça feitas por Vorcaro ainda dependem de apuração e eventual comprovação pelas autoridades competentes. Até o momento, os relatos apresentados no depoimento não equivalem, por si só, a uma conclusão definitiva sobre a ocorrência dos crimes denunciados.


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