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porto velho, sexta-feira 3 de abril de 2026

PORTO VELHO - RO - A saída do coronel Felipe Bernardo Vital do comando da Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), oficializada na quinta-feira (2), não decorre de ruptura administrativa, mas de cálculo político imposto pelo calendário eleitoral. Vital busca uma cadeira de deputado estadual e, neste caso, a legislação é clara ao exigir o afastamento definitivo de ocupantes do primeiro escalão que exerçam função de ordenação de despesas e pretendam disputar o pleito, o que, na prática, antecipa movimentos e reorganiza o tabuleiro do governo.
Vital deixa a cadeira central da segurança pública, mas não se afasta completamente do núcleo de decisões: permanece na estrutura da pasta como assessor, preservando influência técnica e trânsito interno. A movimentação sinaliza uma transição controlada, sem ruptura brusca na condução das políticas da área, ao mesmo tempo em que projeta seu nome para o embate eleitoral. Hélio Gomes, o adjunto, deve assumir a titularidade da pasta.

O movimento não é isolado. No mesmo contexto, o Governo já havia assistido à saída de outro nome estratégico: Luis Fernando Pereira da Silva (foto acima), que deixou a Secretaria de Finanças com a mira voltada ao Senado. Ambos os casos evidenciam um fenômeno recorrente em anos eleitorais — a conversão de quadros técnicos em ativos políticos, obrigados a abandonar formalmente suas funções para atender às exigências legais, mas sem necessariamente romper com a base de poder que ajudaram a construir.
Nos bastidores, as desincompatibilizações funcionam como um termômetro antecipado da disputa. Mais do que simples exonerações, revelam intenções, redesenham forças e deixam claro que, a poucos dias do prazo final, o governo entra definitivamente no ritmo da eleição.