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    porto velho, quarta-feira 6 de maio de 2026

Fiasco na OAB expõe reação tardia da bancada federal sobre pedágio da BR-364

E na BR-364, como muitos ironizaram após o evento, o pedágio não está apenas nas cancelas. Ele também começa a ser cobrado politicamente....


Redação

Publicada em: 06/05/2026 08:56:20 - Atualizado

Porto Velho, RO – A audiência pública realizada nessa segunda-feira (04), no auditório da OAB Rondônia, para discutir os impactos do pedágio da BR-364, acabou se transformando em um retrato do desgaste político da bancada federal diante de um problema que já saiu do papel, entrou no bolso da população e explodiu no setor produtivo. O encontro, que prometia encaminhamentos concretos, terminou marcado pelo esvaziamento, discursos tardios e pela sensação de que a reação veio apenas depois da cancela baixada.

Mesmo com a presença de representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), parlamentares e lideranças locais, a audiência pouco avançou em soluções práticas. O que predominou foi a repetição de críticas ao modelo de concessão da rodovia — críticas essas que, segundo empresários, caminhoneiros e representantes do setor produtivo presentes nos bastidores, deveriam ter ocorrido ainda no período de estruturação e leilão do contrato.

Como se quisesse admitir mea-culpa, O senador Marcos Rogério, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, reconheceu durante o evento os impactos do pedágio sobre o frete, os alimentos e o custo de vida da população. O diagnóstico, no entanto, encontrou resistência até entre aliados, justamente pelo atraso da mobilização política. Nos corredores da audiência, o comentário era praticamente uníssono: faltou enfrentamento da bancada federal quando ainda havia tempo para barrar ou modificar o modelo da concessão.

Enquanto isso, representantes da ANTT falaram em “possibilidade de revisão”, “diálogo permanente” e antecipação de obras, como melhorias no acesso ao porto de Porto Velho. Medidas vistas como paliativas diante da revolta crescente de usuários da rodovia, produtores rurais e transportadores, que agora convivem diariamente com o impacto das tarifas.

A audiência acabou expondo mais do que o debate sobre o pedágio era apenas blábláblá. Escancarou o desgaste de uma bancada que silenciou no momento decisivo e agora tenta correr atrás do prejuízo político em ano eleitoral. Para muitos presentes, o encontro na OAB virou símbolo de uma reação tardia — um movimento depois do leite derramado.

E na BR-364, como muitos ironizaram após o evento, o pedágio não está apenas nas cancelas. Ele também começa a ser cobrado politicamente.



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