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porto velho, quinta-feira 7 de maio de 2026

EDITORIAL RONDONOTICIAS –
A conta chegou: Rondônia cobra representação e não mais discursos vazios em Brasília
O eleitor rondoniense cansou de discursos reciclados, promessas de campanha e políticos que descobrem os problemas do Estado apenas quando o calendário eleitoral começa a bater à porta. A eleição de outubro se aproxima trazendo, mais uma vez, uma fila de postulantes ao poder vendendo soluções prontas para demandas antigas que apodrecem nos corredores de Brasília há décadas.
O problema é que Rondônia já aprendeu, da pior forma, a desconfiar do discurso fácil.
Enquanto os futuros candidatos ensaiam sorrisos, vídeos emocionais e agendas cuidadosamente coreografadas para as redes sociais, o Estado continua atolado em problemas estruturais que sobreviveram à passagem de deputados, senadores e governos inteiros. A conta da omissão chegou — e ela é alta.
A pauta ambiental virou um campo de batalha onde quem produz vive acuado entre multas, embargos, insegurança jurídica e ausência de políticas equilibradas. Rondônia produz, trabalha, exporta e movimenta a economia da Amazônia, mas continua sendo tratada, muitas vezes, como um problema geográfico por setores que jamais pisaram no barro da região Norte.
A regularização fundiária segue como uma ferida aberta. Famílias inteiras vivem há anos sem o documento definitivo da própria terra, enquanto a burocracia engole sonhos, investimentos e segurança jurídica. É o retrato de um Estado abandonado em gavetas federais.
A transposição, então, virou quase uma peça de humor involuntário da política rondoniense. Prometida em campanhas, anunciada em discursos inflamados e explorada eleitoralmente à exaustão, segue caminhando em passos de tartaruga manca. Muitos parlamentares utilizaram a pauta como escada política, mas poucos tiveram coragem, competência ou influência para resolver de vez o problema.
E o que dizer do isolamento aéreo? Rondônia assiste calada ao sufocamento provocado pelas companhias aéreas. Passagens absurdamente caras, voos reduzidos e um tratamento incompatível com a importância econômica do Estado. Viajar virou artigo de luxo. O empresário sofre, o estudante sofre, o paciente sofre, e Brasília, mais uma vez, parece olhar para outro lado.
Enquanto isso, a BR-364 segue sangrando vidas, a logística sufoca o setor produtivo e o Estado continua distante dos grandes investimentos estruturantes que poderiam mudar sua realidade econômica.
A verdade é simples e desconfortável: Rondônia cresceu apesar da classe política, e não por causa dela.
O eleitor de hoje já não é o mesmo de décadas atrás. Está conectado, investiga, compara, cobra e observa. O marketing vazio já não consegue esconder a ausência de resultados concretos. A maquiagem eleitoral perdeu eficiência diante da realidade dura enfrentada diariamente pela população.
A eleição de outubro não deveria ser uma disputa de slogans, mas um teste de coragem política. Rondônia não precisa de parlamentares decorativos, influencers de gabinete ou vendedores de esperança embalados em vídeos de trinta segundos ou em sobrenome alheio.
O Estado precisa, urgentemente, de representantes que troquem o conforto das selfies pela dureza das cobranças em Brasília.
Porque o povo rondoniense já demonstrou uma coisa: paciência também tem prazo de validade. E só restam cinco meses.