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porto velho, sábado 23 de maio de 2026

Crônica de Fim de Semana - Os bichinhos também humanizam o mundo — Adote um deles
*Arimar Souza de Sá
Quem tem um bichinho em casa sabe: existe algo quase divino na relação entre animais e seres humanos. Eles compreendem uma linguagem que o mundo moderno parece ter desaprendido — a do afeto puro, da lealdade silenciosa e do amor sem cobrança.
Um cachorro abanando o rabo na chegada do dono, um gato se enroscando nas pernas da família, um passarinho cantando na janela ou um papagaio arrancando gargalhadas inesperadas… tudo isso transforma uma simples casa em lar.
Os animais não ocupam apenas espaço dentro de casa. Ocupam o coração.
E impressiona como percebem nossas dores. Aproximam-se devagar quando estamos tristes, deitam ao lado da gente e parecem dizer, sem palavras: “eu estou aqui”.
Uma casa com bichinhos tem mais vida, mais movimento, mais conversa e mais humanidade. Há pelos no sofá, bagunça pela casa e miados na madrugada, mas há também uma ternura invisível circulando pelos cômodos.
Os animais quebram a ferrugem emocional do cotidiano.
Fazem crianças aprenderem cuidado.
Fazem idosos sorrirem novamente.
Fazem adultos desacelerarem.
Talvez por isso tanta gente os trate como membros da família.
Aqui em casa, por exemplo, a cadelinha Maya e as gatinhas Ravena e Baunilha, resgatadas na rua, já deixaram há muito tempo de ser apenas animais de estimação. Tornaram-se presença, afeto e companhia diária. E Maya, quando deita de barriga para cima pedindo cafuné, desmonta qualquer dureza da alma.
Os bichinhos ensinam muito sem dizer uma palavra:
Lealdade sem discurso.
Amor sem interesse.
Presença sem cobrança.
Enquanto o mundo endurece, eles seguem amolecendo corações.
Talvez por compreender esse milagre silencioso da convivência entre homens e animais, a deputada estadual Ieda Chaves transformou o cuidado em missão de vida. Hoje, mais de duzentos animais vivem sob sua proteção, recebendo alimento, assistência veterinária, abrigo e acolhimento.
Ali não existem apenas cães e gatos resgatados. Existem vidas reconstruídas pelo afeto.
Animais abandonados e feridos pela crueldade humana voltam a confiar, brincar e viver a simplicidade boa da vida — um prato de ração, um banho de sol e uma mão fazendo carinho atrás da orelha.
Num mundo onde tanta gente abandona, cuidar virou um ato quase revolucionário.
Porque salvar um animal não é apenas proteger uma vida. É impedir que a brutalidade vença completamente a humanidade.
Por isso, adote um bichinho.
Leve seu cão para ver o nascer do sol às margens do rio Madeira. Observe a felicidade simples dele correndo na relva, sentindo o vento e agradecendo silenciosamente por existir.
Talvez um dos maiores segredos da vida esteja justamente aí: o amor verdadeiro quase nunca faz barulho… apenas permanece. E permanece com olhos mansos, patas cansadas, barriga pedindo carinho e um coração fiel batendo ao lado do nosso.
Se ainda houver dúvida, faça um teste simples: adote um bichinho.
Prepare-se apenas para algumas consequências inevitáveis — perder espaço na cama, encontrar pelos pela casa e gastar mais tempo fazendo cafuné do que mexendo no celular.
Em compensação, você descobrirá que a felicidade, às vezes, chega de quatro patas, abana o rabo na sua direção e escolhe morar para sempre dentro do coração da gente.
Que assim seja.
Amém.
*O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO, da Rádio Caiari FM, 103,1.