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porto velho, quarta-feira 12 de agosto de 2026

Combater a corrupção é obrigação; governar exige muito mais
*Jair Montes
Em tempos eleitorais, algumas palavras parecem obrigatórias no vocabulário dos candidatos. Uma delas é corrupção. Praticamente todos prometem combatê-la, fiscalizar contratos, impedir desvios e moralizar a administração pública. O discurso é necessário, mas há uma questão elementar: combater a corrupção não deveria ser promessa de campanha. É obrigação de quem ocupa um cargo público.
E há um ponto que raramente aparece nesses discursos. Governadores não administram sozinhos. São eles que escolhem boa parte daqueles que estarão ao seu lado, especialmente secretários, assessores e ocupantes de cargos estratégicos. Portanto, uma gestão responsável começa pela qualidade e pela integridade das pessoas escolhidas para administrar o dinheiro público.
Não basta dizer que será intolerante com a corrupção. É preciso explicar quais critérios serão utilizados para montar a equipe, como funcionarão os mecanismos internos de controle e de que maneira o governo reagirá diante de suspeitas envolvendo integrantes do primeiro escalão.
Enquanto o debate eleitoral permanece concentrado em temas já conhecidos, outros desafios de enorme importância para Rondônia ainda precisam ganhar espaço. Entre eles estão os eventos climáticos extremos e fenômenos como El Niño e La Niña, capazes de influenciar períodos de seca, calor, chuvas e outros impactos ambientais.
Rondônia conhece muito bem as consequências dos extremos. O nível dos rios interfere na navegação, no abastecimento, na produção rural, na geração de energia e na vida das comunidades ribeirinhas. Secas severas e queimadas também atingem diretamente a saúde e a economia. Preparar o Estado para enfrentar essas situações não pode começar quando a emergência já estiver instalada.
É necessário discutir prevenção, Defesa Civil, infraestrutura, abastecimento de água, combate aos incêndios, assistência às comunidades isoladas, proteção da produção agrícola e planejamento para períodos de estiagem e de cheia.
Essa deveria ser uma das perguntas centrais da eleição: qual Rondônia queremos preparar para os próximos quatro, oito ou vinte anos?
A responsabilidade, porém, não está apenas nas mãos de quem pede votos. Está também com quem escolhe.
Nas urnas, o eleitor rondoniense definirá representantes para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, além de governador e senadores. São escolhas que terão consequências muito além do período eleitoral. Deputados e governador terão quatro anos de mandato; senadores, oito.
Por isso, mais importante do que slogans, discursos inflamados e promessas genéricas é conhecer propostas, trajetórias e compromissos. Quem pretende governar precisa dizer não apenas o que fará, mas como fará, com quem fará e de onde virão os recursos.
A população demonstra há muito tempo desconfiança em relação à política. Recuperar essa credibilidade exigirá mais do que promessas de honestidade. Exigirá planejamento, transparência, competência administrativa e responsabilidade com cada real arrecadado do contribuinte.
Rondônia precisa discutir corrupção, evidentemente. Mas precisa discutir também desenvolvimento, saúde, educação, segurança, infraestrutura, mudanças climáticas, produção, emprego e o futuro das próximas gerações.
A eleição passa. As consequências das escolhas permanecem.
*O autor é o único cientista político de Rondônia.