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porto velho, quarta-feira 12 de agosto de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá e conduzido excepcionalmente pelo comunicador e jornalista Ray Lavareda, que substitui temporariamente o titular durante sua viagem, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (12/08) recebeu Coronel Regis Braguin - Candidato a Deputado Federal–RO. Ex-comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, Braguin colocou a segurança pública no centro de seu projeto político e afirmou que pretende levar à Câmara Federal a experiência acumulada ao longo de 24 anos na corporação.
Ao explicar a decisão de trocar o comando policial pela disputa eleitoral, Braguin afirmou que a insatisfação com o atual cenário foi determinante. O candidato relembrou que iniciou a carreira como soldado, chegou ao posto de coronel e posteriormente assumiu o comando-geral da Polícia Militar. “Não me conformo com a realidade que vivemos hoje”, declarou.
Braguin também apresentou como parte de seu legado à frente da PM a criação do Batalhão de Policiamento Tático de Ação e Reação (BPTAR), apontado por ele como instrumento de enfrentamento ao poder bélico e financeiro das organizações criminosas. O ex-comandante destacou ainda a expansão da Patrulha Rural para todo o estado durante sua gestão.
Segurança depende de Brasília, diz candidato
Ao defender sua candidatura à Câmara dos Deputados, Braguin argumentou que parte dos problemas enfrentados pelas forças policiais não pode ser resolvida exclusivamente pelo Governo de Rondônia. Na avaliação dele, a segurança pública possui uma dimensão estadual, ligada a efetivo, equipamentos, viaturas e estrutura, e outra federal, relacionada às leis penais e às regras que orientam a atuação do sistema de Justiça.
Nesse contexto, o candidato fez críticas à legislação penal e ao modelo de execução das penas no país. Para Braguin, mudanças no Congresso Nacional são necessárias para reduzir aquilo que considera um cenário de impunidade e assegurar que as penas sejam cumpridas de maneira proporcional à gravidade dos crimes.
“Pelo menos, que uma pena faça ele ficar preso no tempo necessário e proporcional à gravidade do seu crime. E isso passa pelo Congresso”, afirmou.

Braguin critica falta de autonomia financeira
A entrevista também avançou sobre a estrutura administrativa da segurança pública de Rondônia. Ao ser questionado sobre os investimentos no setor, Braguin afirmou que uma das dificuldades enfrentadas durante sua passagem pelo comando da PM foi a falta de autonomia financeira da corporação.
Segundo ele, o comando tinha capacidade para administrar despesas operacionais, como diárias, combustível e contas obrigatórias, mas encontrava limitações quando o assunto era investimento. Para Braguin, essa dependência compromete o planejamento de longo prazo.
“A gente nunca consegue nos antecipar ao crime ou planejar ações mais preventivas em função da falta de autonomia financeira”, disse. O candidato acrescentou que, nesse modelo, a segurança acaba ficando “muito vítima da política e não da questão técnica”.
O ex-comandante também criticou a forma como os recursos são previstos no orçamento estadual. Conforme relatou, em determinados momentos a Polícia Militar chegava ao meio do ano com recursos próximos do esgotamento e precisava buscar suplementação orçamentária. Na avaliação de Braguin, a segurança pública precisa deixar de ser tratada apenas como despesa e passar a ser considerada investimento estratégico.
Efetivo da PM estaria próximo de 50% do necessário
Um dos pontos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Braguin tratou da falta de policiais militares em Rondônia. Segundo o candidato, a corporação possui atualmente aproximadamente metade do efetivo previsto como necessário.
“Nós estamos aí com a metade disso, praticamente chegando à metade disso”, afirmou, ao citar uma previsão legal situada, segundo ele, entre aproximadamente 8,4 mil e 8,6 mil policiais.
Braguin relacionou o déficit à ausência prolongada de concursos públicos e ao envelhecimento da tropa. Segundo ele, a situação interfere diretamente na capacidade operacional da Polícia Militar e aumenta a pressão sobre os profissionais que permanecem em atividade.
Ao dimensionar o problema, utilizou uma metáfora para descrever o estágio em que considera estar a segurança pública estadual: “O ponteiro vermelho do tanque de efetivo das Forças de Segurança Pública do Estado já chegou no limite mínimo e a luzinha já até queimou de tão precário que está o efetivo”.
A avaliação, segundo Braguin, não se restringe à Polícia Militar. Ele citou também dificuldades de efetivo na Polícia Civil, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros e Polícia Penal e afirmou que recompor os quadros será um dos grandes desafios do próximo governo estadual.
Emendas para segurança entram no projeto político
Ao projetar uma eventual atuação na Câmara Federal, Braguin afirmou que pretende priorizar a segurança pública tanto na apresentação e discussão de projetos quanto na destinação de emendas parlamentares.
O candidato disse ter sentido, enquanto comandante-geral, falta de maior participação de parlamentares federais na busca por recursos destinados às forças de segurança de Rondônia. Em sua avaliação, deputados e senadores podem exercer papel mais ativo junto ao Governo Federal e ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
“Vamos priorizar a Segurança Pública nos recursos, nos projetos de lei”, declarou. Braguin também defendeu uma atuação parlamentar próxima aos chefes das forças policiais na disputa por recursos federais.
O argumento apresentado pelo candidato passa ainda pela posição geográfica de Rondônia. Braguin destacou a fronteira com a Bolívia e a utilização da região como rota do narcotráfico como fatores que, em sua avaliação, justificam uma pressão política maior por investimentos federais no estado.
Para Braguin, a atuação de um deputado federal na segurança não deve se limitar às emendas. O candidato defende participação na formulação das leis, articulação com o Governo Federal e apoio institucional às forças policiais.
Ao longo da entrevista, o ex-comandante buscou transformar a experiência acumulada na Polícia Militar em sua principal credencial eleitoral. O discurso apresentado combina críticas à gestão dos recursos públicos, defesa da recomposição dos efetivos, endurecimento das regras penais e maior participação da bancada federal na destinação de recursos para a segurança de Rondônia.
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