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porto velho, quarta-feira 14 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (14/10) recebeu o secretário de Estado da Educação de Rondônia, Massud Jorge, para uma entrevista marcada por cobranças sobre os resultados do ensino público, obras escolares, contratação de profissionais e investimentos na rede estadual. À frente da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) desde março, o gestor reconheceu que os indicadores de aprendizagem não avançaram como esperado e apresentou as medidas que pretende deixar encaminhadas para a próxima administração.
A avaliação ganhou destaque quando Arimar questionou o secretário sobre o diagnóstico da educação pública e os principais desafios enfrentados pela pasta. Massud explicou que a rede estadual reúne 408 escolas, aproximadamente 170 mil estudantes e cerca de 20 mil servidores, além de 2 mil trabalhadores terceirizados.
Segundo ele, administrar essa estrutura exige garantir que as decisões tomadas pela secretaria cheguem efetivamente às unidades escolares. Entretanto, ao tratar dos resultados educacionais, admitiu que o desempenho ainda está distante do avanço desejado.

“Nós não evoluímos o que poderíamos, mas também não caímos”, afirmou, ao explicar a manutenção dos indicadores apresentados durante a entrevista.
O secretário citou resultados de 4,6 e 5,2 nas avaliações educacionais, destacando que os números permaneceram estáveis. Embora tenha classificado a manutenção como positiva diante dos desafios da rede, reconheceu que o objetivo deveria ser alcançar crescimento.
“São positivos, mas com certeza o ideal era que a gente tivesse crescido”, declarou.
A constatação mostrou uma das principais cobranças dirigidas à administração estadual: transformar investimentos, programas pedagógicos e melhorias estruturais em resultados concretos na aprendizagem dos estudantes.
Ao avaliar o encerramento do atual governo, Massud Jorge fez uma defesa da administração de Marcos Rocha, especialmente em relação à valorização dos profissionais da educação.
Segundo ele, ao longo dos oito anos de gestão, foram realizados investimentos em reajustes salariais, regularização de pagamentos e reconhecimento de professores e técnicos.
O secretário afirmou que assumiu a Seduc com a responsabilidade de concluir programas em andamento e preparar a estrutura administrativa para a próxima gestão.
Entretanto, ao ser questionado por Arimar sobre os motivos de a educação não ter avançado mais, argumentou que sete meses à frente de uma secretaria desse porte representam um período limitado para promover mudanças profundas.
“É como se fosse um grande navio que você está pilotando, ele já segue num caminho, então você não pode de maneira brusca movimentá-lo”, comparou.
Massud explicou que optou por preservar ações existentes e preparar novos investimentos, em vez de promover alterações abruptas na estrutura da secretaria.
De acordo com ele, o objetivo é entregar à próxima administração condições para dar continuidade aos programas e acelerar os resultados educacionais.
A infraestrutura escolar foi outro ponto central da entrevista. O secretário informou que a Seduc concluiu um levantamento sobre as necessidades de reforma de mais de 165 unidades de ensino.
Segundo Massud, o diagnóstico identifica os problemas encontrados e as intervenções necessárias, permitindo que a próxima gestão tenha informações para planejar a execução das obras.
“Temos um diagnóstico pronto da situação de mais de 165 escolas, o que precisa ser feito e como deve ser feito”, afirmou.
O gestor também mencionou a continuidade de contratos relacionados ao transporte escolar, vigilância patrimonial, monitoramento e fornecimento de materiais pedagógicos.
Além disso, destacou investimentos para melhorar a conexão de internet e a segurança das redes utilizadas nas escolas estaduais.
Na área pedagógica, citou programas de formação continuada de professores e avaliações de aprendizagem, incluindo o Saero, utilizado para medir o desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática.
Massud afirmou que uma nova aplicação da avaliação estadual está prevista para novembro, com o objetivo de identificar dificuldades e orientar as próximas intervenções pedagógicas.
Uma das cobranças mais diretas da população ocorreu durante a participação de um ouvinte que questionou a situação da Escola 4 de Janeiro, no bairro Aponiã, em Porto Velho.
Segundo o relato apresentado ao programa, o prédio permanece fechado há seis anos, provocando questionamentos sobre a demora na conclusão das obras.
Ao responder, Massud reconheceu que houve problemas durante a execução dos serviços e informou que a construção chegou a ser retomada, mas enfrentou um novo impedimento.
“Nós iniciamos essa obra, antes dessa gestão minha, e retomamos ela por um período e teve um pequeno embargo no processo de construção”, explicou.
O secretário afirmou que a Seduc trabalha para resolver a pendência nos próximos dias. Entretanto, não apresentou uma data para a conclusão da obra. A resposta deixou a definição de um prazo condicionada à retomada efetiva dos trabalhos.
Questionado sobre as políticas destinadas aos estudantes com deficiência e necessidades educacionais específicas, Massud destacou investimentos em transporte adaptado, equipamentos e formação de profissionais.
Segundo ele, o governo estadual entregou mais de 120 ônibus ao longo da gestão, incluindo veículos preparados para o transporte de estudantes com deficiência.
O secretário também afirmou que praticamente todas as escolas estaduais contam com salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e mencionou a aquisição de mais de 400 impressoras em braile.
Na formação de profissionais, destacou iniciativas de capacitação em Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de cursos destinados a professores e cuidadores.
Massud também apresentou números relacionados à recomposição do quadro de servidores.
“Foram mais de 1.083 professores contratados”, afirmou.
Segundo ele, novas convocações ainda poderão ocorrer por meio do cadastro de reserva. O secretário também mencionou a posse de aproximadamente 1.500 profissionais técnicos, processo que, conforme explicou, ainda está em andamento.
Para Massud, a contratação de servidores e a formação continuada são fundamentais para melhorar o atendimento aos estudantes e fortalecer a estrutura da rede estadual.
A climatização das escolas também foi questionada por ouvintes do programa.
Massud afirmou que aproximadamente 90% da rede estadual possui aparelhos de ar-condicionado, mas reconheceu que ainda existem unidades com equipamentos que precisam ser substituídos ou instalados.
Segundo ele, um dos principais obstáculos está na capacidade elétrica de determinados prédios escolares.
O secretário explicou que a instalação dos aparelhos depende de adequações na rede interna e, em algumas localidades, de melhorias no fornecimento de energia.
“Algumas vezes a gente coloca o 'aparelho', mas a escola não tem estrutura”, afirmou.
Para enfrentar o problema, a Seduc trabalha na reforma de instalações elétricas e em solicitações de subestações à Energisa.
A intenção, segundo o gestor, é evitar quedas de tensão e garantir condições adequadas para o funcionamento dos equipamentos nas salas de aula.
Outro momento de destaque ocorreu quando um ouvinte questionou a relação entre a Seduc e o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO).
Massud afirmou que esteve em reunião com representantes do órgão de controle para discutir o encerramento da gestão e o andamento das ações administrativas.
Ao comentar os questionamentos envolvendo a secretaria, reconheceu que determinadas demandas foram interrompidas por intervenções do Tribunal de Contas.
“Nós tivemos uma série de demandas que foram interrompidas pelo TCE e nós trabalhamos para sanear isso”, declarou.
O secretário defendeu a atuação do órgão fiscalizador e afirmou que a Seduc precisa manter diálogo institucional para garantir a execução adequada dos recursos públicos.
Segundo ele, o objetivo é resolver pendências e assegurar que os procedimentos administrativos estejam em conformidade com as exigências de controle.
Ao ser questionado sobre o legado que pretende deixar à frente da Seduc, Massud apontou a recomposição do quadro de servidores, o planejamento de reformas e a distribuição de materiais pedagógicos como prioridades.
O secretário afirmou que espera deixar condições para que obras escolares sejam iniciadas antes do próximo ano letivo, além de garantir maior acessibilidade e continuidade aos programas educacionais.
Também destacou a importância da articulação entre a Seduc e as secretarias municipais de Educação, mencionando reuniões e ações conjuntas para enfrentar problemas comuns às redes de ensino.
Diante da cobrança de um professor por melhores resultados educacionais, Massud reconheceu que elevar os indicadores depende não apenas da secretaria, mas também da participação dos profissionais, das famílias e da comunidade escolar.
“Educação é um pacto com todos. É um pacto com o professor, com a escola, com o pai, com o aluno, com toda a sociedade”, afirmou.
Antes de encerrar, Massud destacou a importância do diálogo direto com a população e da transparência na administração pública.
“A transparência é algo que eu prezo e eu acredito que é a melhor forma de fazer gestão, ouvindo e se comunicando diretamente com a população”, declarou.
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