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    porto velho, segunda-feira 19 de outubro de 2026

“Essa eleição varreu os políticos tradicionais de Rondônia”, dispara professor Herbert Lins

Analista político aponta queda de antigos caciques, força do bolsonarismo e mudanças no poder em Rondônia...


Redação

Publicada em: 19/10/2026 14:14:16 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta segunda-feira (19/10) recebeu o professor Herbert Lins, jornalista, marquetólogo e analista político, para uma análise contundente dos resultados das eleições de 2026, da força do bolsonarismo em Rondônia e da reconfiguração do poder político no estado. Durante a entrevista, o convidado afirmou que o eleitorado demonstrou desejo de renovação, avaliou os fatores que levaram Marcos Rogério (PL) ao Governo de Rondônia e fez duras críticas ao primeiro debate presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Um dos pontos mais marcantes da entrevista foi a avaliação sobre o enfraquecimento de grupos familiares que, durante décadas, exerceram influência na política rondoniense. Na interpretação de Herbert Lins, o resultado das urnas representa uma mudança significativa na composição das forças políticas do estado.

“Essa eleição de 2026 varreu os políticos tradicionais do cenário político. Colocou todo mundo para casa”, declarou.

Ao aprofundar a análise, o professor mencionou as derrotas de integrantes das famílias Cassol e Donadon, além das dificuldades eleitorais enfrentadas por outras lideranças tradicionais. Também citou os grupos ligados a Expedito Júnior e Expedito Netto, apontando que o cenário político passa por um processo de renovação.

“Então, a juventude de hoje ou a população quer renovação”, afirmou.

Para o analista, entretanto, o afastamento dessas lideranças não significa necessariamente o encerramento definitivo de suas trajetórias políticas. Ele ponderou que antigos grupos podem recuperar espaço em disputas futuras, uma vez que o comportamento do eleitorado e as alianças partidárias estão sujeitos a mudanças.

A força do bolsonarismo e a vitória de Marcos Rogério

Ao questionar o entrevistado sobre o recado deixado pelas urnas, Arimar Souza de Sá procurou identificar se o eleitor rondoniense havia priorizado a ideologia, a capacidade administrativa ou a confiança pessoal nos candidatos.

Herbert Lins respondeu que a identificação ideológica foi determinante, mas ressaltou que outros fatores contribuíram para a vitória de Marcos Rogério.

“Na minha análise, o eleitor rondoniense votou pela questão ideológica, primeiramente. E, segundo, por eliminação daquele que apresentou maior capacidade de gestão, de entrega, de resultado, de compromisso e conhecimento técnico”, explicou.

Segundo o professor, levantamentos realizados por equipes de campanhas, incluindo grupos focais após os debates, indicavam que parte dos eleitores enxergava em Marcos Rogério maior preparo técnico e capacidade administrativa.

Na avaliação do analista, a associação política com Flávio Bolsonaro também favoreceu o desempenho eleitoral do governador eleito, impulsionado pela identificação de parcela expressiva do eleitorado de Rondônia com o bolsonarismo.

Herbert destacou ainda que a influência desse movimento não ficou restrita ao estado, mencionando o desempenho de candidatos aliados de Flávio Bolsonaro nas eleições estaduais pelo país.

Marketing político transformou a imagem de Marcos Rogério

Outro momento de destaque ocorreu quando Arimar questionou a mudança de comportamento de Marcos Rogério durante a campanha eleitoral.

O apresentador relembrou que, na disputa de 2022, o político enfrentou críticas relacionadas à postura considerada distante do eleitorado. Já em 2026, passou a aparecer em situações mais próximas da população, participando de encontros, visitando comunidades e adotando uma comunicação menos formal.

Herbert Lins atribuiu parte dessa transformação à estratégia de marketing eleitoral.

“A equipe de marketing eleitoral é decisiva na eleição. Ela tanto pode consagrar o candidato à vitória como à derrota. Pode fazer dele um vencedor ou um perdedor”, afirmou.

De acordo com o professor, a equipe responsável pela campanha trabalhou para recuperar características pessoais e políticas de Marcos Rogério que, em sua avaliação, haviam sido deixadas de lado na eleição anterior.

“A nova equipe de marketing trabalhou e humanizou o Rogério”, destacou.

O analista relatou que a estratégia incluiu mudanças no vestuário, na comunicação e na maneira como o candidato se apresentava publicamente. Também mencionou a produção de um vídeo sobre a trajetória pessoal de Marcos Rogério, desde a infância até o início da carreira política.

Arimar, por sua vez, demonstrou cautela diante dessa transformação e questionou se a mudança seria permanente ou apenas uma estratégia eleitoral. O apresentador afirmou esperar que o governador eleito mantenha a postura de proximidade com a população durante a administração estadual.

Herbert defendeu que a campanha teria recuperado características autênticas do político, em vez de simplesmente construir uma imagem artificial para conquistar votos.

STF, Lula e Flávio Bolsonaro entram no centro do debate

A entrevista também avançou para o cenário nacional, especialmente a influência do bolsonarismo na disputa pela Presidência da República.

Ao abordar a permanência da força eleitoral do movimento, Herbert Lins criticou avaliações que apontavam para seu enfraquecimento e afirmou que decisões e controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal contribuíram, em sua interpretação, para mobilizar parte do eleitorado de direita.

“O Barroso foi infeliz na colocação dele. Você não pode prever o que pode acontecer amanhã em uma eleição”, declarou, ao comentar uma afirmação atribuída ao ministro Luís Roberto Barroso.

O professor também avaliou que o desgaste de discursos políticos tradicionais e a busca por alternativas influenciaram o comportamento de parte dos eleitores.

Nesse contexto, criticou a repetição de propostas apresentadas por Lula ao longo de sua trajetória política e associou o crescimento de Flávio Bolsonaro à expectativa de renovação entre segmentos mais jovens da população.

“Essa juventude [...] quer ser empreendedora, quer ser livre, quer uma economia livre. Eles querem um Estado leve”, afirmou.

Na avaliação de Herbert, a insatisfação com a carga tributária e com o retorno dos serviços públicos também influencia as escolhas políticas.

“A gente paga muito imposto e o Estado brasileiro devolve muito pouco”, criticou.

Apesar de destacar aspectos positivos do discurso de Flávio Bolsonaro, o analista fez uma ressalva à proposta de retirar a identificação numérica das munições.

“Isso aí eu discordo completamente. Porque aquilo ali está correto, as balas têm que ser registradas”, afirmou, defendendo a importância do procedimento para o trabalho pericial.

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro é chamado de “show de horrores”

Um dos momentos mais críticos da entrevista ocorreu quando Herbert Lins analisou o debate presidencial realizado no domingo (18), na Band.

O professor demonstrou insatisfação com o desempenho dos dois candidatos e afirmou que o confronto deixou de abordar questões fundamentais para o eleitor brasileiro.

“Eu nunca vi um debate de tão baixa qualidade e de tão baixo nível e de tão baixo quilate como foi o de ontem na Bandeirante entre os dois candidatos”, criticou.

Herbert revelou ainda que havia classificado o encontro como um “show de horrores” em sua coluna política.

Para o analista, o confronto foi marcado por embates que pouco contribuíram para esclarecer as propostas de governo, especialmente em relação à economia e à viabilidade financeira das promessas eleitorais.

“Como é que vai tirar e de onde vai tirar o dinheiro para pagar as promessas de campanha? É isso que a gente quer saber”, cobrou.

A crítica atingiu também as equipes de marketing dos presidenciáveis, que, segundo ele, deveriam preparar os candidatos para apresentar respostas mais consistentes à população.

Derrota de grupos tradicionais muda o mapa político de Rondônia

Ao retomar o cenário estadual, Herbert Lins afirmou que a eleição provocou uma reorganização das forças políticas e atingiu lideranças historicamente influentes.

Entre os nomes mencionados durante a entrevista estiveram integrantes das famílias Cassol e Donadon, além de Expedito Júnior, Expedito Netto e outras figuras conhecidas da política rondoniense.

O professor também comentou a situação de lideranças que permaneceram fora da disputa e destacou que a presença nas bases eleitorais continua sendo fundamental para a sobrevivência política.

Ao analisar o desempenho de Mariana Carvalho e Maurício Carvalho, por exemplo, apontou a necessidade de maior aproximação com a população.

“Estar mais presente na base. Frequentar mais a base. Estar nos lugares onde está a população”, recomendou.

Na interpretação do entrevistado, os resultados demonstram que o reconhecimento de sobrenomes tradicionais e a influência de antigos grupos políticos já não são suficientes, isoladamente, para garantir vitórias eleitorais.

Marcos Rocha e os desafios do novo governo

O futuro político do governador Marcos Rocha também entrou na discussão.

Herbert Lins avaliou que o atual chefe do Executivo estadual poderá enfrentar dificuldades para manter protagonismo após deixar o cargo. Questionado sobre o destino político de Rocha, o professor respondeu de maneira direta:

“Ostracismo, igual foi o Jerônimo Santana quando saiu das urnas.”

Arimar Souza de Sá também questionou a ausência de uma prestação de contas mais ampla sobre as realizações do governo estadual, argumentando que a população precisa conhecer tanto os resultados positivos quanto as dificuldades da administração.

O apresentador citou realizações do governo, mas considerou que faltou maior divulgação das ações desenvolvidas ao longo do mandato.

Já em relação à futura administração de Marcos Rogério, Herbert Lins projetou dificuldades nos primeiros anos, especialmente diante da necessidade de reorganizar a estrutura administrativa e consolidar as condições políticas para governar.

Ele avaliou que o início do mandato poderá ser decisivo para o governador eleito demonstrar capacidade de gestão e construir as bases de uma eventual tentativa de reeleição.

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