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porto velho, quinta-feira 5 de novembro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (05/11) recebeu a escritora e investidora Ana Paula Fanz para uma entrevista sobre oportunidades econômicas, atração de investimentos internacionais e os desafios enfrentados por Rondônia para ampliar sua presença no mercado estrangeiro. Morando há 18 anos na Alemanha, a convidada destacou o potencial produtivo do estado, mas fez críticas à falta de infraestrutura, à insegurança jurídica e à ausência de políticas públicas capazes de estimular novos negócios.
Ao avaliar as condições oferecidas aos investidores, Ana Paula foi enfática ao afirmar que Rondônia ainda precisa avançar em diferentes áreas para conquistar a confiança de empresas internacionais.
Está faltando tudo. Não tem como dizer algo diferente. Porque está bem difícil o trabalho, declarou.
Segundo a consultora, a dificuldade não está na ausência de oportunidades econômicas, mas nas condições necessárias para transformar o potencial regional em investimentos concretos.
Para mim, trazer um investidor para cá, eu tenho que realmente mostrar o potencial. A pessoa tem que querer enxergar o potencial e ela tem que fazer tudo do zero. Porque poucas coisas o Estado tem oferecido, afirmou.
Apesar das críticas, Ana Paula demonstrou confiança nas possibilidades de crescimento de Rondônia e revelou que trabalha para aproximar investidores alemães do mercado rondoniense.
Há 18 anos moro na Alemanha, mas Rondônia sempre foi o meu porto seguro, destacou.
A entrevistada explicou que, embora não tenha nascido no estado, mantém uma forte ligação com a região e acredita que diferentes setores podem despertar o interesse de empresários estrangeiros.
Estou focalizada em atrair investidores da Alemanha para Rondônia, revelou.
Entre as oportunidades mencionadas, ela destacou a disponibilidade de áreas para instalação de empreendimentos e citou o exemplo de uma empresa do Rio Grande do Sul que está construindo uma indústria em Rondônia para produzir cordas a partir de garrafas PET.
Além disso, apontou o café, os peixes, as ervas e a agropecuária como atividades com possibilidades de expansão comercial.
Ao abordar o desenvolvimento econômico, Ana Paula também defendeu que o crescimento seja acompanhado de responsabilidade ambiental.
A gente ainda tem muito a oferecer em questão de progredir, crescer em harmonia com a natureza, sem destruir a natureza, ressaltou.
Insegurança jurídica prejudica negociações internacionais
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Arimar Souza de Sá questionou os impactos da insegurança jurídica brasileira sobre a chegada de investimentos estrangeiros.
Ana Paula afirmou que a falta de previsibilidade nas decisões e nas regras econômicas compromete diretamente a confiança dos investidores.
Interfere totalmente, porque sem estabilidade jurídica você fica totalmente à mercê da cabeça de quem vai julgar uma ação, criticou.
A consultora acrescentou que a instabilidade representa um obstáculo mesmo para empresários que buscam orientação jurídica especializada.
Você pode contratar o melhor advogado do mundo e você vai estar lá totalmente inseguro, declarou.
Para demonstrar os efeitos dessa situação, Ana Paula relatou uma negociação envolvendo a possível compra de café produzido em Rondônia. Segundo ela, uma pessoa interessada no produto desistiu da operação diante das preocupações com a insegurança jurídica e as mudanças tributárias.
Inclusive, a gente está em negociação com uma pessoa muito interessada em comprar café aqui de Rondônia e agora desistiu justamente devido à insegurança jurídica, à questão de impostos, relatou.
Na avaliação da entrevistada, o estado dispõe de riquezas e oportunidades, mas enfrenta dificuldades para aproveitar economicamente esses recursos.
Turismo de Rondônia precisa de investimentos e estrutura
Outro assunto abordado durante a entrevista foi o turismo, apontado por Ana Paula como um setor com grande potencial de crescimento e capacidade de atrair visitantes e investimentos.
Durante a conversa, Arimar Souza de Sá questionou as condições de infraestrutura dos pontos turísticos de Rondônia e mencionou as dificuldades de acesso e conservação de locais históricos, como o Real Forte Príncipe da Beira.

A consultora concordou com as preocupações e relatou sua experiência ao visitar o monumento. Segundo ela, a precariedade da conservação e a ausência de informações adequadas aos visitantes comprometem o aproveitamento turístico do patrimônio.
Ana Paula também defendeu maior participação do poder público na organização do setor e destacou a necessidade de melhorar os serviços oferecidos aos turistas.
Para a entrevistada, os problemas não devem ser tratados apenas como responsabilidade dos governantes, mas também como uma questão que exige acompanhamento e cobrança da sociedade.
É a obrigação do Estado fazer e é a nossa obrigação cobrar, afirmou.
Ao discutir os custos dos serviços turísticos, ela reconheceu que os investimentos em segurança acabam refletindo nos preços cobrados dos consumidores, mas considerou que determinados valores estão distantes da realidade.
Mas é fora da realidade mesmo. São medidas que devem ser públicas. Só que tem que ser cobrada pela população, declarou.
Entrevistada defende união da população para cobrar governantes
A discussão sobre os desafios econômicos também avançou para o cenário político. Ana Paula criticou a polarização e defendeu que a população concentre esforços na fiscalização das promessas feitas durante as campanhas eleitorais.
Na avaliação da consultora, as divergências políticas não deveriam impedir a cobrança por melhorias na infraestrutura, no turismo e no ambiente de negócios.
"Independente de quem ganhou, eu gosto ou não, você gosta ou não, agora está na hora de a gente exercer a nossa obrigação, cobrar", afirmou.
Ela também ressaltou que a sociedade precisa acompanhar as propostas apresentadas pelos candidatos e exigir resultados dos representantes eleitos.
"A gente tem que se unir para cobrar os governos, tantos municipais, estaduais e federais, cumprir o que foi prometido", defendeu.
Ao longo da entrevista, Ana Paula Fanz reforçou que Rondônia reúne condições para ampliar sua participação no mercado internacional, especialmente por meio do agronegócio, do turismo e de novos empreendimentos industriais.
Entretanto, segundo sua avaliação, a atração de investimentos depende de avanços na infraestrutura, de maior segurança jurídica, de estabilidade nas regras econômicas e de ações efetivas do poder público.
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