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porto velho, sexta-feira 11 de setembro de 2026

A eleição para o Governo de Rondônia começou a ganhar um novo roteiro. E, para azar dos favoritos, não foi escrito pelos marqueteiros.
Marcos Rogério, líder nas pesquisas, enfrenta uma crise que atingiu o coração de sua campanha. Seu coordenador-geral, Marcélio Brasileiro, tornou-se alvo da Operação Dreno, da Polícia Federal, que investiga possível apropriação e desvio de recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2024.
É necessário registrar: investigação não significa condenação e todos têm direito à presunção de inocência.
Juridicamente, essa ressalva é indispensável. Politicamente, porém, o incêndio já começou.
Coordenador-geral não é figurante de fotografia. É uma das peças centrais de qualquer campanha. Marcos Rogério terá agora uma escolha indigesta: mantém os envolvidos e passa a explicar diariamente a situação ou promove afastamentos e reorganiza sua equipe em plena corrida eleitoral.
Em qualquer hipótese, o prejuízo político existe.
A ironia é quase pronta: enquanto a campanha queria discutir o futuro de Rondônia, terá de gastar tempo explicando problemas envolvendo justamente dinheiro público destinado às eleições.
O adversário nem precisou criar a pauta. A pauta chegou de viatura.
E o segundo colocado também parece ter comprado passagem para o inferno astral.
Adailton Fúria já enfrentou turbulência na comunicação, com mudança no comando do marketing, e agora convive com sinais de desgaste político envolvendo seu próprio partido e o governador Marcos Rocha. Não há, até aqui, rompimento formal comprovado entre os dois, mas os ruídos existem.
É uma situação curiosa: quem pretende convencer Rondônia de que está preparado para administrar o Estado primeiro precisa demonstrar capacidade de administrar a própria campanha.
Enquanto os dois primeiros colocados apagam incêndios, Expedito Netto e Hildon Chaves enxergam uma avenida se abrindo diante deles.
A Quaest de agosto colocou Marcos Rogério com 24%, Fúria com 21%, enquanto Expedito e Hildon apareceram com 10% cada. Mais importante: 22% estavam indecisos e uma parcela expressiva admitia mudar o voto.
Ou seja: ninguém comprou passagem antecipada para o segundo turno.
Hildon possui a experiência de dois mandatos como prefeito de Porto Velho e uma importante base eleitoral na capital. Expedito Netto foi deputado federal por dois mandatos, conhece Brasília, percorre o interior, apresenta um plano de governo estruturado e possui um ativo político relevante: é o candidato apoiado pelo presidente Lula em Rondônia.
Mas nenhum dos dois ganhará eleição apenas assistindo aos adversários sangrarem.
Precisam ocupar imediatamente o espaço aberto pelas crises, apresentar propostas, demonstrar experiência e convencer o eleitor de que representam alternativas reais de poder.
Marcos Rogério e Fúria continuam fortes e seria ingenuidade decretar antecipadamente a queda de qualquer um deles. Mas seria igualmente ingênuo fingir que nada aconteceu.
Aconteceu. E muito.
Na política, liderança em pesquisa não é escritura registrada em cartório. Favoritismo não é patrimônio tombado. E segundo turno não tem cadeira cativa.
Os dois líderes agora carregam problemas que não estavam previstos no roteiro. Expedito Netto e Hildon Chaves receberam aquilo que todo candidato que vem atrás deseja: uma oportunidade concreta de mudar o jogo.
Resta saber quem terá competência para aproveitá-la.
Porque eleição tem uma regra cruelmente simples:
quando quem está na frente tropeça, quem vem atrás não pede licença. Acelera.
Edson Silveira
Advogado, administrador, professor e articulista político