• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, sexta-feira 11 de setembro de 2026

Quando os favoritos tropeçam, a eleição muda de rumo - por Edson Silveira*

A eleição para o Governo de Rondônia começou a ganhar um novo roteiro. E, para azar dos favoritos, não foi escrito pelos marqueteiros...


Por Edson Silveira

Publicada em: 10/09/2026 14:58:06 - Atualizado

Foto: Reprodução

A eleição para o Governo de Rondônia começou a ganhar um novo roteiro. E, para azar dos favoritos, não foi escrito pelos marqueteiros.

Marcos Rogério, líder nas pesquisas, enfrenta uma crise que atingiu o coração de sua campanha. Seu coordenador-geral, Marcélio Brasileiro, tornou-se alvo da Operação Dreno, da Polícia Federal, que investiga possível apropriação e desvio de recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2024.

É necessário registrar: investigação não significa condenação e todos têm direito à presunção de inocência.

Juridicamente, essa ressalva é indispensável. Politicamente, porém, o incêndio já começou.

Coordenador-geral não é figurante de fotografia. É uma das peças centrais de qualquer campanha. Marcos Rogério terá agora uma escolha indigesta: mantém os envolvidos e passa a explicar diariamente a situação ou promove afastamentos e reorganiza sua equipe em plena corrida eleitoral.

Em qualquer hipótese, o prejuízo político existe.

A ironia é quase pronta: enquanto a campanha queria discutir o futuro de Rondônia, terá de gastar tempo explicando problemas envolvendo justamente dinheiro público destinado às eleições.

O adversário nem precisou criar a pauta. A pauta chegou de viatura.

E o segundo colocado também parece ter comprado passagem para o inferno astral.

Adailton Fúria já enfrentou turbulência na comunicação, com mudança no comando do marketing, e agora convive com sinais de desgaste político envolvendo seu próprio partido e o governador Marcos Rocha. Não há, até aqui, rompimento formal comprovado entre os dois, mas os ruídos existem.

É uma situação curiosa: quem pretende convencer Rondônia de que está preparado para administrar o Estado primeiro precisa demonstrar capacidade de administrar a própria campanha.

Enquanto os dois primeiros colocados apagam incêndios, Expedito Netto e Hildon Chaves enxergam uma avenida se abrindo diante deles.

A Quaest de agosto colocou Marcos Rogério com 24%, Fúria com 21%, enquanto Expedito e Hildon apareceram com 10% cada. Mais importante: 22% estavam indecisos e uma parcela expressiva admitia mudar o voto.

Ou seja: ninguém comprou passagem antecipada para o segundo turno.

Hildon possui a experiência de dois mandatos como prefeito de Porto Velho e uma importante base eleitoral na capital. Expedito Netto foi deputado federal por dois mandatos, conhece Brasília, percorre o interior, apresenta um plano de governo estruturado e possui um ativo político relevante: é o candidato apoiado pelo presidente Lula em Rondônia.

Mas nenhum dos dois ganhará eleição apenas assistindo aos adversários sangrarem.

Precisam ocupar imediatamente o espaço aberto pelas crises, apresentar propostas, demonstrar experiência e convencer o eleitor de que representam alternativas reais de poder.

Marcos Rogério e Fúria continuam fortes e seria ingenuidade decretar antecipadamente a queda de qualquer um deles. Mas seria igualmente ingênuo fingir que nada aconteceu.

Aconteceu. E muito.

Na política, liderança em pesquisa não é escritura registrada em cartório. Favoritismo não é patrimônio tombado. E segundo turno não tem cadeira cativa.

Os dois líderes agora carregam problemas que não estavam previstos no roteiro. Expedito Netto e Hildon Chaves receberam aquilo que todo candidato que vem atrás deseja: uma oportunidade concreta de mudar o jogo.

Resta saber quem terá competência para aproveitá-la.

Porque eleição tem uma regra cruelmente simples:

quando quem está na frente tropeça, quem vem atrás não pede licença. Acelera.

Edson Silveira

Advogado, administrador, professor e articulista político


Fale conosco