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    porto velho, segunda-feira 16 de fevereiro de 2026

Globo tenta ajudar mas escola de samba deve prejudicar Lula com clara campanha antecipada

Mais controversa ainda foi a atuação da TV Globo durante a transmissão do desfile.


Redação

Publicada em: 16/02/2026 09:52:07 - Atualizado

O desfile de uma escola de samba na Marquês de Sapucaí reacendeu o debate sobre os limites entre manifestação cultural e propaganda política disfarçada. Ao transformar a avenida em palco para exaltação direta do presidente Lula, a escola deixou de lado o caráter artístico do Carnaval para assumir, sem constrangimento, uma narrativa claramente alinhada a interesses eleitorais — em pleno período pré-eleitoral.

A situação se torna ainda mais grave quando se observa que o presidente é potencial candidato à reeleição, o que levanta questionamentos sobre uso indevido de espaços públicos e eventos populares para promoção pessoal. O Carnaval, financiado direta ou indiretamente com recursos públicos e incentivos estatais, não pode ser instrumentalizado como palanque político, sob pena de ferir princípios básicos de isonomia e equilíbrio democrático.

Mais controversa ainda foi a atuação da TV Globo durante a transmissão do desfile. Em vez de exercer um papel jornalístico crítico e isento, a emissora foi acusada de atuar como aliada indireta do presidente, minimizando ou ocultando trechos explícitos do enredo que evidenciavam o caráter político da apresentação. Câmeras desviadas, comentários evasivos e enquadramentos seletivos deram a impressão de um esforço deliberado para “embelezar” o espetáculo e esconder do público o teor propagandístico do desfile.

Ao agir dessa forma, a emissora não apenas deixou de informar com transparência, como também contribuiu para normalizar o uso do Carnaval como ferramenta de marketing político. O telespectador, que espera uma cobertura fiel dos fatos, acabou recebendo uma versão filtrada da realidade.

O episódio expõe uma preocupação maior: quando cultura, mídia e poder político se misturam sem limites claros, quem perde é a democracia. O Carnaval é do povo, não de governos nem de projetos eleitorais. E a imprensa, especialmente a de alcance nacional, tem o dever de revelar os fatos — não de escondê-los.


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