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    porto velho, segunda-feira 16 de fevereiro de 2026

Ator confessa que foi convidado por Janja para desfile e escancara crime eleitoral: "PT organizou"


Redação

Publicada em: 16/02/2026 16:19:31 - Atualizado

A declaração recente do ator Paulo Vieira reacendeu o debate sobre a mistura entre política, dinheiro público e Carnaval em pleno ano eleitoral. Ao admitir publicamente que foi convidado pela primeira-dama Janja para desfilar em uma escola de samba que homenageou o presidente Lula, o artista acabou escancarando uma articulação que vai além do campo cultural e entra no terreno da política institucional.

O convite, feito por alguém que ocupa posição central no governo federal, levanta questionamentos jurídicos relevantes. Especialistas em direito eleitoral avaliam que a participação direta do casal presidencial em ações que promovem a imagem do chefe do Executivo, ainda que travestidas de manifestação cultural, pode configurar propaganda eleitoral antecipada — prática vedada pela legislação brasileira.

O caso ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa que escolas de samba recebem recursos públicos, direta ou indiretamente, seja por meio de patrocínios estatais, incentivos fiscais ou apoio de órgãos vinculados ao governo. Nesse contexto, a presença de figuras públicas convidadas pela primeira-dama reforça a percepção de que o desfile extrapolou a homenagem artística e assumiu caráter político.

Ao revelar o convite, Paulo Vieira acabou confirmando aquilo que críticos já apontavam: o desfile não foi um gesto espontâneo da escola, mas contou com a participação ativa do núcleo do poder. Isso pode ser interpretado como uso da máquina pública para promover politicamente o presidente, algo que, em tese, pode ser enquadrado como irregularidade eleitoral e até mesmo como crime, dependendo da análise do Tribunal Superior Eleitoral.

O episódio reforça a necessidade de maior rigor e transparência na separação entre cultura e política. Em um ano eleitoral, qualquer ação que beneficie diretamente um pré-candidato, sobretudo com envolvimento de recursos públicos ou autoridades do governo, deve ser tratada com máxima cautela para não ferir a legislação nem comprometer a lisura do processo democrático.


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