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porto velho, domingo 3 de maio de 2026

O diretor de televisão Homero Salles, conhecido por sua parceria com Gugu Liberato, fez uma análise contundente sobre a estreia do reality show 'Casa do Patrão'. Em publicação no LinkedIn, ele avaliou o desempenho de Leandro Hassum como apresentador da atração exibida pela Record, com transmissão 24 horas pelo Disney +.
Salles atribuiu ao diretor Boninho um erro na escolha do comando do programa. Para ele, o posto deveria ter sido ocupado por Dudu Camargo, vencedor de 'A Fazenda 17'.“Vivemos um momento curioso na televisão brasileira: as escolhas são guiadas por visibilidade, alcance e cliques. Mas escolhas na televisão, especialmente na de entretenimento, não é um exercício de popularidade. É um exercício de função. E função exige conhecimento”, escreveu.
O diretor ainda reforçou que conduzir um reality vai além da presença de palco: “Conduzir um programa não é apenas ocupar o palco. Não é apenas comunicar. Não é apenas entreter. É saber quando e como conduzir e quando e como explicar”.
Na avaliação, Salles afirmou que a estreia foi marcada por falhas estruturais e falta de preparo da equipe. “Programa novo, apresentador novo, equipe de produção nova, estrutura técnica nova... um diretor ‘global’ fora de seu habitat... pronto, está desenhado o caos que vimos no programa de estreia”, disse.
Ele listou problemas como “vídeo e áudio péssimos, apresentador perdido, provas mal resolvidas, não criativas, participantes amedrontados e perdidos”, além de erros de posicionamento de câmera e falhas básicas que, segundo ele, deveriam ter sido corrigidas antes da estreia.
Sobre Leandro Hassum, o diretor foi direto ao apontar dificuldades na condução. “Ficou patente o despreparo e desconhecimento das regras básicas do programa para dar um mínimo ritmo na condução... deu dó... e vergonha alheia”, afirmou.

Salles também destacou a dependência do apresentador em relação ao ponto eletrônico: “Totalmente dependente de um ponto no ouvido que se tornou, afinal, um verdadeiro ‘aparelho de tortura’”.
Ele ainda sugeriu que as críticas nas redes sociais impactaram o desempenho do humorista: “É difícil para qualquer artista, principalmente um humorista, ser massacrado nas redes, manter o controle [...] assim, fica impossível o riso”.
Em contraponto, Salles defendeu que Dudu Camargo teria maior preparo para o comando do reality, especialmente por sua experiência recente como participante.

“Dudu provou ser o maior estrategista de realitys dos últimos tempos e essa visão seria imprescindível para pôr ordem na casa, enquadrar e dar segurança aos participantes”, escreveu.
Ele acrescentou que o apresentador também teria melhor capacidade de comunicação com o público: “Explicar para o telespectador o que está e estará rolando nas dinâmicas [...] pegar na mão desse telespectador e didaticamente, com humor e carinho incorporá-lo no reality”.
Salles também mencionou que nomes como Evaristo Costa e André Marques teriam recusado o convite para apresentar o programa. “Não é toda hora que apresentadores ‘fora do ar’ se dão ao luxo de dizer um sonoro não ao convite da segunda emissora da TV aberta”, observou.
Apesar das críticas, o diretor afirmou torcer pelo crescimento da atração e pela correção dos problemas técnicos. “Torço para que a audiência seja boa, cresça, performe e que a produtora [...] conserte os erros”, disse.
Ao final, Salles resumiu sua visão com uma metáfora: “Record tinha uma Ferrari e optou por correr de Celta”.