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    porto velho, quinta-feira 27 de agosto de 2026

Advogado é acusado de ameaçar de morte juiz de caso Deolane Bezerra: "Da facção"

Suspeito de integrar PCC, defensor pediu soltura de clientes e caso não ocorresse, disse "temer" que juiz não chegasse ao “elísio”, termo associado a "paraíso"


sbt

Publicada em: 26/08/2026 17:22:16 - Atualizado


Um advogado suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria supostamente ameaçado de morte um juiz durante uma audiência sobre integrantes da facção criminosa. O magistrado ameaçado é Deyvison Heberth dos Reis, que decretou a prisão da influenciadora Deolane Bezerra há três meses.

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O vídeo foi gravado durante uma audiência de um processo contra membros do PCC. O advogado Marcos Roberto Cebola e Silva defendia a libertação dos clientes.

Durante a sessão, o defensor afirmou que seria mais fácil revogar as prisões preventivas para que o processo pudesse avançar. O juiz respondeu que a decisão deveria seguir a lei.

Na sequência, Marcos Roberto Cebola e Silva disse:

“Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘elísio’.”

O juiz perguntou se a declaração era uma ameaça. O advogado negou e explicou que “elísio” significaria paraíso. Segundo ele, todas as pessoas morrerão um dia, e a questão seria decidir entre ir para o paraíso ou para o inferno.

A explicação não convenceu o magistrado. Deyvison Heberth dos Reis afirmou que, em quase 20 anos de carreira e depois de julgar vários processos relacionados ao PCC, nunca tinha ouvido uma declaração semelhante.

O juiz disse ter entendido a fala como uma ameaça de morte caso não revogasse as prisões preventivas.

Fala gerou inquérito sob sigilo judicial

A declaração resultou em um inquérito policial contra o advogado, que tramita sob sigilo judicial. O Ministério Público e o próprio Judiciário demonstraram preocupação com a fala por causa das suspeitas de ligação do defensor com o PCC.

Marcos Roberto Cebola e Silva participou da criação da ONG Pacto Social e Carcerário. Segundo a polícia e os promotores, a organização seria de fachada e teria funcionado com dinheiro do crime organizado para atender a interesses do PCC.

O advogado também defende a inocência de Deolane Bezerra, que está presa sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa.

Além disso, ele usa as redes sociais para criticar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Em uma publicação, chamou o promotor de “super-herói de Presidente Venceslau”.

O jornalismo do SBT entrou em contato com Marcos Roberto Cebola e Silva, mas ele não atendeu às diversas ligações.


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