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porto velho, quinta-feira 1 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: O Programa A Voz do Povo da Rádio Caiari, FM, 103,1 desta terça-feira, (23/05), apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, recebeu os comentaristas esportivos: Luís Carlos Pereira (E) e João Dalmo (D), que abrilhantaram o horário de almoço com um verdadeiro bate bola de informações privilegiadas acerca da prática esportiva rondoniense, de ontem e de hoje.
Em clima de saudosismo, a entrevista iniciou com Dalmo dando o 'ponta pé inicial', falando sobre a época em que o futebol de Rondônia era considerado amador, mas, segundo ele, bastante prestigiado pelas torcidas e charangas no Estádio Aluízio Ferreira. Ele explicou que naquele tempo, essa categoria nunca foi realmente vivida pelos atletas, pois sempre eles recebiam salários, seja como funcionários do Governo do então território de Rondônia, ou Prefeitura do município.
Dalmo contextualizou um pouco da história, dos seus mais de 60 anos atuando no rádio esportivo, contando que a mudança do futebol local para a categoria profissional que se deu em 1990, foi por exigência do próprio público. Na época, segundo ele, grandes times marcaram a história de Porto Velho com lances memoráveis dentro de campo, entre eles o Ferroviário, Botafogo, Flamengo, Moto Clube, Ipiranga, Cruzeiro, São Domingos. Os clubes pertenciam a grupos de famílias tradicionais da Capital que eram provedores de toda a manutenção financeira das agremiações.
“As próprias torcidas e os donos dos times aceitaram abandonar a categoria amador e profissionalizar as equipes, porém, os gastos foram muito maiores e vendo isso, percebendo que não aguentariam se manter, todos os times fecharam as portas, ficando apenas o Ferroviário, na época”, detalhou Dalmo.
Luís Carlos completou contando que em 1990 quando ocorreu a mudança de amador para a categoria profissional, já no ano seguinte veio o primeiro campeonato estadual de futebol, tendo como vitorioso o time de Ji-Paraná, ocasião em que o Ferroviário também decidiu fechar as portas.
Dalmo engatou lembrando saudosamente das torcidas que lotavam as arquibancadas do estádio Aluízio Ferreira. “Tínhamos uma torcida organizada, barulhenta, a cidade era pequena e ir assistir aos jogos era praticamente a única opção de lazer que as famílias tinham. Mas hoje pergunto aos seus ouvintes Arimar, diante de tantas opções de campeonatos, transmitidos pela TV, e (brincou), como o chinês, japonês, brasileiro, Champion League, quem deixará o recesso de seu lar, no ar condicionado, para ir a um Estádio como o Aluízio Ferreira, com banheiro com água até o pé do vaso, quente de queimar o 'bum bum'?. Este é um fator preponderante para afastar as torcidas", vociferou.
Sobre o abandono dessa tradição de ir ao estádio em Porto Velho, Luís Carlos concordou com Dalmo e arrematou dizendo que falta estrutura adequada no 'Alluizão' para receber as famílias. “É tudo muito precário, desconfortável e desestruturado, arquibancadas, banheiros, sol quente ou chuva sem abrigo”, e aproveitou para criticar o poder público. Os governantes poderiam dar mais atenção ao esporte profissional da capital".
Ele acrescentou ainda que a falta de atletas apaixonados pelo futebol também diminui o tamanho das torcidas nos estádios. “Enquanto éramos amadores havia um amor pelo futebol, fato que não tem mais hoje. Essa paixão nasce dos atletas e reflete nas torcidas, hoje não temos mais isso”, relembrou.
Dalmo esclareceu que falta apoio do poder público para o desenvolvimento do esporte. “E não é só para o futebol, em todas as modalidades”, arrematou. Disse ainda que praticamente todos os municípios têm um estádio de futebol e Porto Velho ficou atrasado no tempo.
Os ouvintes levantaram ainda a questão da ocupação do cargo de Presidente Vitalício da Federação de Futebol de Rondônia ocupado por Heitor Costa. Para eles, a falta de alternância do poder na Federação de Rondônia, pode ser o grande entrave para o atraso no futebol local. Dalmo não concordou. “Não existem candidatos, se o Heitor sair a Federação fica abandonada”, enfatizou. Luís Carlos discordou do colega debatedor e se posicionou de forma enfática: Não vejo crescimento, sem alternância de poder”.
Os ouvintes saudaram as duas personalidades ilustres do futebol rondoniense e relembraram momentos nunca mais vividos. “Os jogos eram mais emocionantes na transmissão feita pelo rádio”, relembrou uma participante. “Eu e minha família nos reuníamos para acompanhar os jogos pela rádio, era muito bom”, acrescentou outro ouvinte.
Eles aproveitaram também para tecer críticas à Federação. “Os governantes não apoiam o futebol local porque a federação é desorganizada e está nas mãos do mesmo dirigente há quarenta anos”, disse uma participante por mensagem.
Outra ouvinte deu seu pitaco já no fim do programa dizendo: “Tenho um pequeno time e a federação não ajuda. e omissa e covarde”, disse revoltado um participante que não quis ter o nome revelado.
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