Fundado em 11/10/2001
porto velho, terça-feira 24 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO-RO: O cenário político de Rondônia começa a revelar um movimento que vai muito além de candidaturas isoladas. O que se desenha é uma verdadeira onda de retorno de ex-deputados estaduais e federais às articulações eleitorais — uma espécie de reocupação do tabuleiro por figuras que, em outros momentos, já exerceram protagonismo no Estado e agora buscam retomar espaço.
A movimentação não é pontual. Ela se espalha por diversas regiões, sinalizando que a disputa de 2026 tende a ser marcada por nomes conhecidos do eleitorado. Em Ariquemes, por exemplo, voltam ao radar político Adelino Folador e Ernandes Amorim. Em Ouro Preto do Oeste, o ex-prefeito e ex-deputado federal Carlos Magno reaparece nas conversas de bastidores. Em Pimenta Bueno, Hermínio Coelho volta a circular com intensidade, enquanto Zequinha Araújo também é citado como possível nome na disputa.
Na capital, Porto Velho, o ex-deputado Jair Montes retoma articulações, ao mesmo tempo em que outros ex-parlamentares voltam a ser lembrados nas rodas políticas. Em Ji-Paraná, Airton Gurgacz surge novamente no debate sucessório, indicando que o interior também será palco de confrontos entre veteranos.
A disputa pela Câmara dos Deputados promete ser ainda mais simbólica. Em Vilhena, Natan Donadon volta a ser mencionado. Em Rolim de Moura, aparecem os nomes de Luís Cláudio, Jaqueline Cassol e Expedito Painho. Em Porto Velho, o ex-senador e ex-deputado federal Amir Lando também reaparece como peça possível no xadrez eleitoral.
O fenômeno revela dois aspectos importantes. Primeiro, a dificuldade de renovação plena dos quadros políticos em Rondônia, onde lideranças com capital eleitoral acumulado continuam sendo vistas como competitivas. Segundo, o peso da memória política no Estado: muitos desses nomes ainda mantêm bases consolidadas, redes de apoio estruturadas e recall junto ao eleitorado.
A chamada “ressurreição política” não acontece por acaso. Ela é fruto de cálculos estratégicos, leitura de cenários e, principalmente, da percepção de que o eleitor rondoniense, embora crítico, ainda responde a figuras conhecidas quando estas conseguem reorganizar suas bases.
E a lista não para por aí. Outros ex-parlamentares, que hoje atuam nos bastidores ou em funções secundárias, também avaliam retorno. O que se anuncia, portanto, não é apenas uma eleição comum, mas uma disputa marcada pelo embate entre passado e presente — onde velhos protagonistas tentam provar que ainda têm fôlego para ocupar o futuro.
Com informações do jornalista Carlos Sperança