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porto velho, quinta-feira 26 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO-RO: Apresentado pelo gabaritado jornalista Edson dos Anjos e transmitido em rede estadual pela Rádio Rondônia, 93,3 FM, de Porto Velho, o programa A Hora do Povo desta quinta-feira (26) recebeu o ex-senador e ex-ministro da Previdência Amir Lando. Em uma entrevista franca, sem filtros, Lando fez uma análise dura sobre o cenário político nacional e estadual, defendendo o resgate de princípios e uma retomada do debate estruturante para o futuro do país.
Logo no início, o ex-senador destacou a importância da liberdade de expressão como fundamento da democracia. Para ele, política não pode ser confundida com discursos vazios ou promessas superficiais. “A política é a arte de construir um amanhã melhor para todos, sobretudo mais justo”, afirmou.
Segundo Lando, o Brasil deixou de discutir projetos de nação e passou a administrar apenas o caixa público. “Hoje se administra orçamento. Não se constrói país. Não se constrói projeto nacional”, criticou. Para ele, o foco excessivo em emendas parlamentares fragmenta recursos e impede a execução de obras estruturantes capazes de promover desenvolvimento sustentável.
O ex-ministro também foi enfático ao afirmar que a política perdeu seu caráter virtuoso. “A essência da política é pensar nos outros, não em si. Hoje virou uma maneira fácil de enriquecer”, declarou. Ele classificou o atual ambiente político como um “comércio sujo”, onde interesses pessoais prevalecem sobre o interesse público.
Amir Lando lamentou ainda o que chamou de ausência de debate qualificado sobre temas estratégicos para Rondônia. Citou a necessidade de rediscutir o sistema modal de transporte, a situação da BR-364, a retomada da BR-319, a integração com o mercado andino e asiático por meio da ponte binacional e a importância de obras estruturantes para garantir competitividade ao estado.
“Há mais de 30 anos a 364 deveria ter sido privatizada e hoje está estrangulada. Não vai suportar o crescimento da produção. E não vejo essa discussão na mesa”, alertou.
Para ele, políticas assistenciais são importantes para combater a fome imediata, mas não podem ser o único eixo de ação governamental. “Não é só sobre Bolsa Família. É preciso engajar as pessoas no processo produtivo, dar oportunidade ao talento, ao engenho, à criatividade”, defendeu.
O ex-senador concluiu convocando a sociedade a reagir. Segundo ele, a transformação não virá do lamento, mas da substituição de lideranças que, em sua visão, se afastaram do compromisso público. “É preciso colocar gente que entregue sua alma, seu conhecimento e sua energia em benefício da sociedade.”
A entrevista repercutiu pela franqueza e pelo tom crítico adotado pelo ex-ministro, reacendendo o debate sobre o papel da política na construção de um projeto sólido para Rondônia e para o Brasil.
Confira a entrevista na íntegra: