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    porto velho, quarta-feira 25 de fevereiro de 2026

Adolescente morre após suspeita de tortura e cárcere em Porto Velho

No local, os policiais encontraram a adolescente já sem sinais vitais, deitada sobre uma cama e coberta...


Redação

Publicada em: 25/02/2026 10:03:02 - Atualizado

PORTO VELHO-RO: Uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta na noite desta terça-feira (24) em uma residência na rua Afonso Brasil, bairro Jardim Santana, zona leste de Porto Velho. A vítima, identificada como Marta Isabelle dos Santos Silva, teria sido submetida a tortura e mantida em cárcere privado por mais de dois meses dentro da própria casa.

A Polícia Militar foi acionada após a madrasta informar que a jovem, que supostamente estaria desaparecida havia três meses, teria retornado à residência debilitada e com diversos ferimentos, morrendo horas depois.

No local, os policiais encontraram a adolescente já sem sinais vitais, deitada sobre uma cama e coberta por um lençol. Ela apresentava sinais evidentes de extrema fragilidade física.

A versão apresentada inicialmente pela madrasta indicava que Marta teria retornado a pé, descalça e bastante machucada. Mesmo diante do estado considerado grave, não foi acionado atendimento médico imediato. Segundo relato, teriam sido adotados apenas cuidados improvisados dentro da própria residência.

Durante a averiguação, a Polícia identificou inconsistências nos depoimentos dos familiares, especialmente quanto ao momento em que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teria sido acionado e sobre a presença do pai na casa.

No terreno da residência, os agentes localizaram uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. O material levantou suspeitas, já que a quantidade encontrada não condizia com a narrativa de permanência recente da adolescente no imóvel.

Vizinhos relataram que não viam Marta havia meses e que, quando questionavam os pais, recebiam justificativas de que ela estaria em retiro religioso ou na casa de familiares. Não havia registro formal de desaparecimento.

A perícia constatou múltiplas lesões pelo corpo da adolescente, incluindo ferimentos graves, sinais de desnutrição severa e indícios compatíveis com maus-tratos prolongados. O médico do Samu confirmou o óbito ainda no local.

Após diligências, o pai da adolescente foi localizado e confessou que a filha não estava desaparecida. Segundo ele, após encontrá-la, passou a mantê-la presa dentro de casa, amarrando-a durante a noite e deixando-a trancada durante o dia. A prática teria se repetido por mais de dois meses.

A Polícia Civil concluiu, inicialmente, que há indícios de participação do pai, da madrasta e da avó, tanto por ação quanto por omissão. Os três foram presos e encaminhados ao Departamento de Flagrantes.

O caso será investigado como homicídio qualificado, tortura e cárcere privado.


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