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    porto velho, quarta-feira 20 de maio de 2026

Pesquisas com números controversos reacendem debate sobre manipulação eleitoral em Rondônia

Os números apresentados pelo instituto passaram a ser alvo de questionamentos de analistas, lideranças políticas e observadores do cenário eleitoral...


Redação

Publicada em: 20/05/2026 09:47:27 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A divulgação da pesquisa do Instituto Veritá, divulgada na última quinta-feira, 14,  sobre a disputa pelo Governo de Rondônia, registrada no TRE sob o número 02673/2026, provocou forte repercussão nos bastidores políticos e abriu um novo debate sobre a credibilidade de determinados levantamentos eleitorais no Estado.

Os números apresentados pelo instituto passaram a ser alvo de questionamentos de analistas, lideranças políticas e observadores do cenário eleitoral, principalmente diante de inconsistências consideradas difíceis de explicar sob critérios estatísticos tradicionais.

Um dos pontos mais comentados envolve o desempenho do senador Marcos Rogério. Na modalidade espontânea — quando o eleitor responde sem receber nomes de candidatos — ele aparece com 46% das intenções de voto. Já na pesquisa estimulada, em que os nomes são apresentados ao entrevistado, o percentual cai para 42%, comportamento considerado incomum por especialistas em levantamentos eleitorais.

Situação semelhante ocorreu com Adailton Fúria. O pré-candidato surge com 32% na espontânea, mas recua para 22% na estimulada. Enquanto isso, Hildon Chaves faz movimento inverso: sai de 11% na espontânea para praticamente empatar com Fúria na pesquisa estimulada.

As divergências nos números passaram a dominar rodas de conversa do meio político nos últimos dias. A avaliação predominante entre interlocutores é de que a pesquisa acabou gerando mais dúvidas do que esclarecimentos sobre o cenário eleitoral de Rondônia.

Outro fator que ampliou os questionamentos envolve a proporcionalidade da amostragem. Porto Velho, que concentra aproximadamente 30% do eleitorado estadual, teria representado mais de 40% do total de entrevistados. Já Ji-Paraná, segunda maior cidade do Estado em número de eleitores, teria tido participação inferior à de municípios menores, como Cacoal e Ariquemes.

O levantamento ouviu 1.220 eleitores e, segundo o próprio instituto, possui margem de confiança de 95%.

A repercussão negativa reacendeu críticas sobre o uso político de determinadas pesquisas eleitorais. Nos bastidores, lideranças avaliam que levantamentos controversos podem acabar influenciando emocionalmente parte do eleitorado, criando percepções artificiais de crescimento, queda ou favoritismo de candidatos antes mesmo do início oficial da campanha.

Especialistas em comunicação política lembram que pesquisas são instrumentos importantes para medir tendências, mas alertam que eventuais distorções metodológicas ou inconsistências nos dados podem comprometer a credibilidade dos números divulgados e afetar a confiança da população.

Por conta disso, justiça suspendeu a pesquisa Veritá por apresentar sete divergência de dados e deixou o instituto sob forte desgaste perante setores da classe política estadual para as próximas sondagens.


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