Fundado em 11/10/2001
porto velho, sábado 23 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - Depois de sair das últimas eleições carregando a fama de político sisudo, distante e dono de um estilo considerado arrogante até por antigos aliados, o entorno do senador Marcos Rogério-PL resolveu entrar em campo para desmontar aquilo que, nos bastidores, alguns estrategistas já chamam de “a marca do bossal”.
A ordem agora é suavizar. E rápido e mostrar que o senador não é nada disso. Nos bastidores da pré-campanha ao Governo de Rondônia, os marqueteiros teriam concluído que Rogério precisa parecer “mais humano” diante do eleitor comum. O novo manual de sobrevivência política inclui recomendações quase revolucionárias para o senador: sorrir mais, abraçar populares, aceitar selfies sem expressão de auditor da Receita Federal e, principalmente, pegar nas mãos das pessoas durante caminhadas.
Sim. Pegar nas mãos. A preocupação teria surgido após pesquisas qualitativas identificarem uma percepção persistente de frieza, empáfia e excesso de formalismo em aparições públicas. Um interlocutor ligado ao núcleo político resumiu a situação com ironia involuntária: “o povo precisa sentir calor humano e não uma sustentação oral do STF”.
O figurino também entrou na mira da equipe. Ternos excessivamente engomados e postura rígida começam a perder espaço para roupas mais esportivas, mangas dobradas e tentativas calculadas de aparência popular. A recomendação seria abandonar o estilo “senador em sessão permanente” e adotar algo mais próximo de “homem simples que toma café com bolinho de chuva no interior do estado”.
Há quem diga que o treinamento já começou. Em agendas recentes, aliados passaram a observar um Marcos Rogério tentando sustentar sorrisos por períodos superiores a três minutos, algo considerado um avanço expressivo pelos estrategistas da campanha. Em algumas ocasiões, o senador também teria sido orientado a desacelerar o passo para permitir contato físico com eleitores — item considerado essencial para reduzir a imagem de inacessível.
Outro desafio seria controlar o tom professoral que frequentemente aparece em discursos. A avaliação interna é de que parte do eleitorado reconhece inteligência e firmeza no senador, mas não suporta a sensação de estar levando bronca durante entrevistas e pronunciamentos.
Um integrante da pré-campanha brincou reservadamente que o objetivo agora é fazer Marcos Rogério parecer “menos debate da Globo e mais feira de domingo”.
A missão, contudo, não será simples. Na política, trocar discurso é fácil. Difícil é convencer o eleitor de que o personagem mudou sem parecer atuação ensaiada demais. Em Rondônia, onde o eleitor percebe rapidamente quando o político abraça e sorri sem querer mais do que o necessário em ano eleitoral, o desafio dos marqueteiros será evitar que o novo Marcos Rogério pareça apenas um robô programado para distribuir simpatia artificial em velocidade de campanha.
Como o senador é um homem inteligente, nome nacional e com sensibilidade aguçada, deve mudar em curtíssimo espaço de tempo, registram seus marqueteiros.