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    porto velho, terça-feira 25 de agosto de 2026

“Temos seis candidatos ao governo de RO, mas só três contam”, afirma jornalista

“Não basta ser do Lula ou do Bolsonaro”, enfatiza Osmar Silva ao avaliar que apoio de lideranças nacionais não garante a transferência de votos em Rondônia...


Redação

Publicada em: 25/08/2026 13:59:44 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (25/8) recebeu o jornalista Osmar Silva para uma análise direta do tabuleiro político de Rondônia. A disputa pelo Governo do Estado, o desempenho dos candidatos, a força das estruturas partidárias, o peso de Lula e Bolsonaro e a influência crescente das redes sociais estiveram entre os principais temas da entrevista.

Com décadas de atuação na imprensa rondoniense, Osmar não tratou os seis candidatos ao Governo como adversários em condições equivalentes. Na avaliação dele, a eleição apresenta um grupo mais restrito de nomes efetivamente competitivos.

“Temos seis candidatos ao governo do Estado, mas só três contam”, afirmou o jornalista ao analisar o cenário. Para ele, três candidaturas estariam, neste momento, apenas compondo numericamente a disputa.

A afirmação colocou no centro da conversa uma questão decisiva para a campanha: quem realmente conseguirá transformar exposição, estrutura partidária e discurso em votos quando o eleitor for às urnas.

Um dos nomes abordados foi Samuel Costa. Osmar questionou a situação política e jurídica enfrentada pelo candidato após a dissolução do diretório partidário pela direção nacional. Embora tenha reconhecido que Samuel conseguiu o registro, avaliou que o assunto ainda poderia percorrer outras instâncias.

“Conseguiu o registro aqui? Conseguiu. Isso está resolvido? Claro que não. Ainda tem o TSE. Ainda tem muito chão jurídico para correr”, declarou.

Foto - Rondonoticias

Osmar também observou que a própria disputa em torno da candidatura mantém Samuel em evidência. Segundo ele, enquanto a discussão continua, o candidato ganha espaço na mídia e amplia o conhecimento de seu nome entre os eleitores.

DEBATE ENTRA NA MIRA DE OSMAR

O desempenho dos candidatos no debate promovido pela Band também ganhou espaço na entrevista. Osmar classificou o confronto como raso e fez avaliações específicas sobre algumas das principais figuras da corrida pelo Palácio Rio Madeira.

Ao falar de Hildon Chaves, Osmar separou sua avaliação administrativa da performance eleitoral. O jornalista elogiou o trabalho realizado por Hildon quando prefeito de Porto Velho, mas considerou que o candidato teve dificuldades para desenvolver suas ideias durante o debate.

“Ele não conseguiu terminar uma resposta, concluir uma resposta, um raciocínio dentro do tempo. O tempo acabava enquanto ele estava no preâmbulo do que ele queria dizer”, afirmou.

Osmar disse, porém, que imaginava que a participação pudesse provocar prejuízo eleitoral maior. Segundo sua leitura das pesquisas mencionadas durante a entrevista, isso não ocorreu e Hildon apresentou crescimento.

FÚRIA E A RELAÇÃO COM MARCOS ROCHA

Adailton Fúria também entrou na análise. Osmar chamou atenção para o que percebeu como uma tentativa de não vincular diretamente a candidatura ao governador Marcos Rocha e criticou a postura adotada pelo candidato durante o confronto.

“Um fato que me chama a atenção também é que o Fúria parece que não quer colar o Marcos Rocha nele”, observou. Ao avaliar o comportamento no debate, Osmar considerou excessiva a demonstração de ousadia apresentada pelo candidato.

As declarações colocam em evidência uma das questões políticas presentes na campanha: até que ponto candidatos buscarão associar suas imagens aos grupos que os sustentam politicamente ou tentarão construir identidades próprias diante do eleitor.

OSMAR CRITICA TOM DE SAMUEL CONTRA GOVERNADOR

A postura de Samuel Costa durante o debate também recebeu críticas. Osmar considerou inadequada a forma utilizada pelo candidato para atacar o governador Marcos Rocha.

Embora tenha ressaltado que não estava defendendo qualquer candidato ou governo, Osmar argumentou que a crítica política pode ser contundente sem atingir aspectos pessoais.

“Tem muitas formas de você mostrar que o outro está fazendo algo errado”, afirmou. Para o jornalista, quando a agressividade ultrapassa determinados limites, o resultado pode ser a perda de simpatia do próprio eleitor.

ELEITOR DE RONDÔNIA NÃO SEGUE MAIS “MANADA”, AVALIA JORNALISTA

Foi ao analisar o comportamento do eleitorado que Osmar apresentou uma das avaliações políticas mais contundentes da entrevista. Para ele, grandes alianças, grupos numerosos e padrinhos eleitorais não são suficientes para assegurar uma vitória em Rondônia.

O jornalista recuperou episódios da história política estadual para sustentar que o eleitor rondoniense já demonstrou capacidade de contrariar estruturas consideradas eleitoralmente poderosas.

“O eleitor de Rondônia vem demonstrando, desde o começo da formação do Estado, uma certa capacidade de diagnosticar, de fazer juízo de valor”, afirmou.

Na avaliação de Osmar, esse comportamento fica ainda mais evidente no interior, onde a proximidade entre população e representantes políticos aumenta a cobrança por resultados.

“O prefeito ruim não se cria no interior. Ou ele trabalha ou ele desaparece. O vereador, a mesma coisa. Os deputados, a mesma coisa. O povo cobra”, declarou.

LULA E BOLSONARO NÃO TRANSFEREM VOTOS AUTOMATICAMENTE

A entrevista avançou para uma das estratégias mais presentes nas eleições brasileiras: a tentativa de candidatos estaduais de vincular suas campanhas a lideranças nacionais.

Osmar rejeitou a ideia de que simplesmente se apresentar como candidato ligado a Lula ou Bolsonaro seja suficiente para receber os votos dos respectivos eleitorados.

“Não basta, digamos assim, ‘eu sou do Lula’. Não basta isso”, disse. Na sequência, aplicou o mesmo raciocínio ao outro campo político: “‘Eu sou do Bolsonaro’. Também não passa.”

Para o jornalista, a capacidade de transmitir confiança e falar diretamente sobre as necessidades da população terá peso decisivo.

“Tem que ter verdade, irmão. Tem que ser sincero. Tem que falar aquilo que o povo precisa”, afirmou.

REDES SOCIAIS MUDAM O CAMPO DE BATALHA ELEITORAL

Se os padrinhos políticos perderam parte da capacidade de transferir votos, Osmar apontou outro fenômeno que deve influenciar diretamente a campanha de 2026: a migração do debate político para as redes sociais.

Para ele, televisão aberta e debates tradicionais já não exercem sobre uma parcela expressiva do eleitorado a influência que tiveram em eleições anteriores.

“As eleições, a formação e a informação política do eleitorado estão saindo das televisões”, declarou.

O jornalista foi além ao analisar o comportamento das novas gerações.

“É nas redes sociais que está o debate, até porque quem tem menos de 40 anos não vê TV aberta. É rede social, é celular na mão”, afirmou.

A mudança, entretanto, não significa que uma campanha bem produzida nas plataformas digitais seja suficiente para conquistar votos. Osmar sustentou que transformar um candidato em um produto de comunicação não garante convencimento político.

Nesse novo cenário, a disputa pelo Governo de Rondônia tende, na avaliação apresentada durante A Voz do Povo, a ultrapassar as estruturas tradicionais dos partidos e chegar diretamente às telas dos celulares. Para Osmar, candidatos precisarão combinar presença digital, credibilidade e capacidade de convencer um eleitor que já demonstrou não seguir automaticamente alianças ou lideranças políticas.

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