Fundado em 11/10/2001
porto velho, quinta-feira 3 de setembro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (03/09) recebeu o economista Otacílio Moreira para uma análise sobre a relação entre economia e política em meio ao processo eleitoral. Ao voltar a discussão para Rondônia, o entrevistado chamou atenção para a situação das contas estaduais e avaliou que o cenário econômico também pode ter reflexos na disputa pelo Governo.
Durante a conversa, Otacílio mencionou o encontro de candidatos com o Tribunal de Contas, ocasião em que, segundo ele, foi apresentada a situação financeira do Estado. Foi a partir desse ponto que o economista fez uma das avaliações mais contundentes da entrevista sobre as contas de Rondônia.
“A gente sabe muito bem como é que estava. Ou seja, praticamente, no ano passado, as despesas empataram com as receitas”, afirmou.
Na avaliação de Otacílio, entretanto, a preocupação não se limita à proximidade entre receitas e despesas. Ao aprofundar a análise, ele afirmou que recursos de fundos estaduais estariam sendo utilizados para cobrir gastos do poder público.
“É mais grave ainda, viu, Arimar? Porque pouca gente sabe, mas o governador está utilizando os fundos”, declarou.

Ao explicar a afirmação, o economista citou especificamente recursos da Idaron e disse que fundos estariam sendo usados inclusive para despesas obrigatórias. “O governo está usando o fundo do Idaron para abastecer os carros, para fiscalizar, para pagar despesas obrigatórias”, disse.
A situação econômica de Rondônia entrou no debate justamente quando Arimar questionou a influência da economia sobre a política estadual. Na resposta, Otacílio avaliou que as condições econômicas podem produzir efeitos sobre a própria corrida eleitoral.
“A questão econômica, por exemplo, pode atrapalhar um dos candidatos favoritos aí”, afirmou, antes de mencionar a apresentação feita pelo Tribunal de Contas aos candidatos.
Outro ponto da entrevista diretamente ligado às eleições foi o financiamento das campanhas. Ao analisar a circulação de recursos públicos e privados no processo eleitoral, Otacílio questionou o atual modelo e argumentou que a coexistência das duas formas de financiamento abre espaço para contradições.
“Eu acho dúbio isso aí. Ou acaba com um, ou acaba com outro. É financiamento totalmente público ou é privado”, declarou.
Para o economista, o financiamento privado também traz o risco de grandes grupos econômicos ampliarem sua influência sobre a política. Ao desenvolver o argumento, ele classificou essa relação como uma forma de “captura” de quem ocupa o poder por grupos de interesse.
A partir das questões eleitorais e econômicas de Rondônia, a entrevista avançou para o cenário nacional. Otacílio avaliou que o ambiente político brasileiro vive um período de forte instabilidade e que os conflitos não ficam restritos à política, atingindo também a economia.
“Esse ambiente turbulento que nós estamos vivendo não só é político, entre os poderes, dentro dos poderes. Toda essa briga aí acaba atrapalhando, e muito, ainda mais no cenário de eleições”, afirmou.
Ao comentar o envolvimento de diferentes grupos políticos em denúncias e controvérsias, Otacílio defendeu que a responsabilização não seja condicionada a posições ideológicas. Para ele, eventuais irregularidades precisam ter consequências independentemente de quem esteja envolvido.
“Tem que vir uma limpeza. Tem que ter uma limpeza dos dois lados. Quem errou tem que sair”, afirmou.
Na sequência, ao citar direita, esquerda e Centrão, o economista demonstrou preocupação com a possibilidade de casos envolvendo agentes políticos terminarem sem consequências. “Se isso, de fato, acabar em pizza, cria a sensação de impunidade e o Brasil não muda muito. Pelo contrário, piora”, declarou.
Otacílio também relacionou a instabilidade política a um momento que considera delicado para a economia brasileira. Ele citou reformas ainda pendentes e destacou as dúvidas em torno das mudanças tributárias, principalmente para estados que dependem de incentivos para manter empresas e atrair investimentos.
Ao trazer novamente essa preocupação para a realidade regional, o economista questionou os efeitos que o novo cenário tributário poderá produzir em estados como Rondônia. “Como é que vamos segurar nossas empresas aqui? Então, realmente, preocupa bastante”, disse.
Ao projetar os próximos desafios para Rondônia, Otacílio demonstrou preocupação principalmente com os efeitos das mudanças tributárias sobre a capacidade do Estado de manter empresas e investimentos. Para ele, a perda de mecanismos de incentivo pode colocar Rondônia diante de uma dificuldade adicional justamente em um momento de incerteza econômica.
“E aí, realmente, o que vai acontecer com esses estados periféricos, já que nós não vamos ter mais incentivo tributário, fiscal? Como é que vamos segurar nossas empresas aqui? Então, realmente, preocupa bastante”, afirmou.
ASSISTA A ENTREVISTA AO VIVO E COMPLETA AQUI: