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porto velho, terça-feira 8 de setembro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta terça-feira (08/09) recebeu o Professor e Jornalista, Júlio Aires, para uma análise do cenário político de Rondônia e dos acontecimentos nacionais que atravessam a reta decisiva das eleições de 2026. Durante a entrevista, o convidado concentrou parte de sua avaliação no comportamento do eleitor rondoniense, nas divergências entre pesquisas eleitorais e na influência cada vez maior das redes sociais sobre a construção das candidaturas.
Ao trazer a discussão para Rondônia, Aires afirmou que o eleitor precisa observar os levantamentos eleitorais com cautela, especialmente quando institutos apresentam cenários muito diferentes para uma mesma disputa.
“Eu acho que o eleitor deve estar sempre com o pé atrás. De que forma? Comparando”, afirmou.
Para o jornalista, diferenças expressivas na colocação de candidatos entre pesquisas realizadas sobre o mesmo eleitorado precisam despertar a atenção de quem acompanha a corrida eleitoral.
“Eu não consigo entender se o Instituto X diz que o candidato Y está com tantos pontos na pesquisa e ocupando a primeira colocação de uma disputa e o outro instituto, que pesquisa a mesma realidade, porque nós estamos falando da mesma cidade, da mesma população, diz que aquele candidato está lá em terceiro ou quarto lugar. Tem alguma coisa de errado”, declarou.
A avaliação feita por Aires representa sua interpretação sobre o cenário. Diferenças entre pesquisas, isoladamente, não comprovam irregularidades ou manipulação, já que os resultados podem variar conforme metodologia, período de coleta, amostragem e margem de erro.
Redes sociais mudam disputa pelo voto em Rondônia
Outro ponto levantado pelo professor foi a mudança na maneira de fazer campanha. Aires comparou o modelo tradicional, marcado pelo contato direto entre candidato e eleitor, com a atual predominância das redes sociais.
Segundo ele, a população de Rondônia, assim como ocorre no restante do país, recebe diariamente uma grande quantidade de conteúdos produzidos pelas campanhas. Nesse ambiente, candidatos conseguem apresentar ao eleitor uma imagem previamente construída e repetida pelas plataformas.
“A rede social traz o pacote pronto”, resumiu.
Aires considera as plataformas importantes para ampliar o acesso à informação, mas pondera que elas também podem ser utilizadas para apresentar candidaturas sem explicar suficientemente como determinadas promessas serão executadas.
“A rede social, eu entendo que ela é um excelente instrumento para contribuir nesse processo, para ajudar a esclarecer, para ajudar a dizer quem é quem. O problema é que os pacotes chegam prontos e sem muita clareza”, disse.
Ao falar especificamente de Porto Velho, o professor relembrou a eleição municipal vencida por Léo Moraes e citou como exemplo a utilização de eleitores na comunicação da campanha, especialmente no segundo turno. Na avaliação dele, estratégias desse tipo demonstram como a comunicação política passou a buscar outras formas de convencimento diante do desgaste dos discursos tradicionais.
Eleitor quer propostas novas
Para Júlio Aires, outro desafio das eleições está na repetição de problemas históricos nas campanhas. Segurança pública e educação foram citadas como áreas frequentemente presentes nos discursos políticos, mas que, na avaliação do entrevistado, ainda carecem de soluções capazes de representar novidade para a população.
“Eu espero que na campanha alguém me proponha algo novo, porque eu ouvi falar sobre segurança, sobre as deficiências educacionais, esses temas aí já estão extremamente batidos e solução ainda não chegou”, afirmou.
Na análise do professor, candidatos que já exerceram funções públicas precisam explicar o que pretendem fazer diante de problemas conhecidos, enquanto aqueles que estão fora do poder também devem apresentar soluções concretas, em vez de apenas repetir promessas tradicionais.
Cenário nacional invade debate eleitoral
Depois de analisar Rondônia, Aires ampliou a discussão para o cenário brasileiro. Para ele, a eleição presidencial ocorre em meio a uma crise institucional que passou a disputar espaço com as próprias propostas dos candidatos.
O professor destacou especialmente a presença do Supremo Tribunal Federal (STF) no centro do debate político. Na avaliação dele, questões que anteriormente seriam tratadas predominantemente no campo jurídico passaram a integrar diretamente os discursos eleitorais.
“A Justiça agora é tema da campanha eleitoral. Isso é gravíssimo”, declarou.
Segundo Aires, a situação cria uma dificuldade adicional para o eleitor, que precisa acompanhar simultaneamente propostas eleitorais e acontecimentos envolvendo uma das principais instituições do país.
“Eu fico pensando: o que o eleitor está fazendo agora? Ele está ouvindo as propostas dos candidatos para tomar uma decisão e escolher em quais candidatos irá votar ou está tentando entender o que está acontecendo com o STF?”, questionou.
Para o entrevistado, a exposição de conflitos envolvendo o Judiciário pode ampliar a desconfiança já existente em relação à política e atingir também a percepção da população sobre as instituições.
“Eu vou acreditar em quem agora?”, afirmou, ao exemplificar a dúvida que, em sua avaliação, pode surgir entre eleitores diante desse ambiente.
Polarização e STF dividem espaço com propostas
Aires também demonstrou preocupação com a polarização política. Segundo ele, o processo eleitoral deveria oferecer diferentes alternativas ao eleitor e concentrar maior espaço na apresentação de propostas.
“O Brasil vem passando por esse processo de polarização, o que, no meu entendimento, não faz bem para ninguém”, avaliou.

O jornalista chamou atenção ainda para o fato de manifestações políticas recentes terem colocado o STF entre os assuntos abordados por candidatos. Para ele, o espaço destinado às controvérsias institucionais acaba concorrendo com discussões sobre problemas diretamente relacionados à população.
“Em vez de eles estarem apresentando proposta para o país, dizendo que têm algo novo para apresentar, para resolver, por exemplo, a questão da segurança pública, eles estão usando esse tempo para se manifestar com relação ao STF”, afirmou.
Eleições de 2026 exigem atenção do eleitor
Na avaliação apresentada por Júlio Aires, o eleitor chega à reta final da campanha diante de uma combinação pouco simples: grande volume de informações nas redes sociais, pesquisas eleitorais que precisam ser analisadas comparativamente, problemas públicos antigos novamente presentes nas promessas e uma crise institucional nacional que passou a ocupar espaço dentro da própria disputa eleitoral.
Para o professor, as eleições de 2026 estão entre as mais importantes dos últimos anos justamente porque as redes sociais ganharam ainda mais influência na comunicação política e na maneira como candidatos chegam até a população.
Nesse cenário, Aires defende que o eleitor rondoniense compare informações e procure enxergar além da imagem produzida pelas campanhas, principalmente em uma eleição na qual as disputas locais convivem diariamente com acontecimentos políticos de repercussão nacional.
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