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    porto velho, quinta-feira 10 de setembro de 2026

“Sem emendas parlamentares, 99% não seriam candidatos”, afirma Célio Lopes

Candidato a deputado federal critica o peso das emendas na política, relaciona o modelo ao alto custo das campanhas e defende renovação na representação de Rondônia em Brasília...


Redação

Publicada em: 10/09/2026 14:15:07 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (10/09) recebeu o candidato a deputado federal Célio Lopes, que colocou a renovação política no centro de seu discurso e fez duras críticas ao atual modelo de atuação parlamentar. Durante a entrevista, ele afirmou que pretende construir um mandato voltado à fiscalização, à saúde, à industrialização e à geração de empregos, além de questionar o peso das emendas parlamentares na política brasileira.

Ao ser questionado sobre o que o diferencia dos demais nomes que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados, Célio apontou a renovação e argumentou que parte significativa da disputa ainda é protagonizada por políticos que buscam a reeleição ou tentam retornar à vida pública.

“Hoje nós temos candidatos que já foram políticos e estão ressurgindo, temos candidatos à reeleição e pouquíssimos nomes novos que realmente têm chance de chegar à Câmara Federal. Eu acredito que represento essa renovação”, afirmou.

A crítica mais contundente, porém, surgiu durante a discussão sobre o papel dos deputados federais e a concentração da atividade parlamentar na destinação de recursos. Célio afirmou ser contrário ao atual protagonismo das emendas e associou esse modelo às distorções que, na avaliação dele, atingem a política nacional.

“Eu serei um parlamentar que não é favorável às emendas, porque, para mim, a raiz de toda a corrupção no nosso país está nas emendas parlamentares. Se não tivesse emenda parlamentar, 99% dos candidatos hoje não seriam candidatos a deputado. Tenho certeza absoluta disso”, declarou.

O candidato também relacionou o volume de recursos controlado pelos parlamentares ao aumento dos custos das campanhas eleitorais. Para ele, a Câmara Federal precisa recuperar um papel mais amplo, com atuação política, fiscalização e discussão de projetos estruturantes, em vez de concentrar a imagem do mandato apenas na liberação de verbas.

“Se não fossem as emendas parlamentares, as campanhas não estariam tão caras como estão”, acrescentou.

BR-364 entra no centro das cobranças

Outro tema de forte repercussão política abordado durante a entrevista foi a concessão da BR-364. Segundo Célio, a questão aparece com frequência nas conversas que mantém com moradores durante as agendas de campanha pelo interior de Rondônia.

Na avaliação do candidato, houve falta de reação política no momento adequado para tentar impedir ou modificar o processo de concessão. Diante do cenário atual, ele defendeu que a bancada federal exerça fiscalização rigorosa sobre o contrato e sobre a atuação da concessionária.

Foto - Rondonoticias

“Foi feito e não houve, no momento oportuno, ações por parte da nossa bancada, pelo menos ao meu ver, que pudessem embargar o andamento dessa concessão. O leite derramou. Infelizmente, o que a gente pode fazer agora é fiscalizar”, disse.

Célio também demonstrou preocupação com os acidentes registrados na rodovia. Ele relatou que, em uma viagem recente para Machadinho d’Oeste, encontrou quatro acidentes em um trecho do percurso, um deles com duas vítimas fatais.

Saúde aparece como prioridade

Ao tratar das principais demandas encontradas nas ruas, Célio colocou a saúde entre os problemas mais urgentes. Segundo ele, relatos de pacientes aguardando exames, cirurgias e vagas hospitalares têm sido recorrentes durante a campanha.

“Em todas as reuniões que eu vou tem alguém esperando para fazer uma ressonância, uma tomografia, esperando por uma cirurgia ou por uma regulação que não anda. Nós temos pessoas clamando pelo mínimo, pela garantia constitucional à saúde”, afirmou.

Como exemplo, o candidato relatou ter recebido uma mensagem sobre um idoso de 89 anos, morador de Calama, que teria sofrido um AVC e aguardava por um leito hospitalar em Porto Velho.

Industrialização para manter jovens em Rondônia

Para além das demandas imediatas, Célio defendeu que Rondônia precisa enfrentar uma discussão econômica de longo prazo. Segundo ele, o estado possui forte capacidade produtiva, mas ainda industrializa pouco, situação que limita a geração de empregos e reduz as oportunidades para jovens e profissionais qualificados.

“Rondônia produz muito, mas industrializa muito pouco. Precisamos fazer com que o mercado interno, a geração de emprego e renda sejam atrativos para os nossos jovens e para os profissionais que estão se formando e se capacitando”, declarou.

O candidato criticou ainda políticas de qualificação profissional que, segundo ele, priorizam números sem necessariamente considerar as necessidades das empresas.

“Não adianta capacitar só por capacitar, só para dizer números. Tem deputado que fala que mandou dinheiro para capacitar 10 mil, 5 mil ou 3 mil pessoas. Mas para quê? Para aquilo que o mercado realmente precisa ou somente para fazer números?”, questionou.

Na avaliação de Célio, a industrialização deve ser acompanhada de mudanças capazes de tornar Rondônia mais competitivo para empresas e investidores, evitando que empreendimentos deixem o estado em busca de melhores condições em outras unidades da Federação.

Agricultura familiar e assistência técnica

A situação dos pequenos produtores também entrou na discussão. Célio defendeu o fortalecimento das associações rurais, investimentos em implementos agrícolas, qualificação profissional e ampliação da assistência técnica no campo.

Ele avaliou que a estrutura pública atualmente disponível não consegue atender plenamente às necessidades das famílias rurais e recordou períodos em que, segundo ele, a Emater mantinha presença mais efetiva dentro das propriedades.

“Nós tínhamos uma Emater muito forte, que realmente estava dentro da propriedade. Hoje já não temos mais isso. Precisamos fortalecer as associações e levar assistência técnica, mas isso ainda é uma política pequena diante do que precisamos: uma política de Estado para o pequeno agricultor”, afirmou.

Ciência, universidades e desenvolvimento

Célio também cobrou maior aproximação entre representação política, universidades e desenvolvimento econômico. Para o candidato, instituições de ensino e pesquisa podem desempenhar papel estratégico na elaboração de soluções para áreas como saúde, educação, agricultura, emprego e inovação, desde que também recebam atenção da bancada federal.

“Nós tínhamos parlamentares que se preocupavam com a ciência. Hoje nós não temos parlamentares que se preocupam com ciência”, criticou.

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