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    porto velho, quinta-feira 17 de setembro de 2026

Pedro Abib chama gestão de Marcos Rocha de “herança maldita” e diz que falta gestão

Candidato do MDB ao Governo de Rondônia fez duras críticas à atual administração, falou sobre dificuldades dentro do próprio partido e defendeu investimentos em infraestrutura...


Redação

Publicada em: 17/09/2026 14:03:34 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (17/09) recebeu Pedro Abib, candidato ao Governo de Rondônia pelo MDB. Em uma entrevista marcada por críticas à atual administração estadual, avaliação do cenário político e propostas para a economia, Abib afirmou que o próximo governador receberá uma “herança maldita” da gestão de Marcos Rocha e sustentou que o principal problema de Rondônia não é falta de dinheiro, mas de planejamento, gestão e definição de prioridades.

Logo no início da conversa, o candidato abordou as dificuldades enfrentadas durante a campanha. Segundo ele, enquanto adversários conseguem percorrer Rondônia de avião ou helicóptero, sua estrutura financeira o obriga a fazer boa parte dos deslocamentos pelas rodovias.

Abib afirmou ter recebido apenas uma parcela dos recursos que poderiam ser destinados à sua candidatura e relatou que, ainda na pré-campanha, percorreu praticamente todo o estado em um motorhome cedido por um familiar de sua esposa.

Foi justamente a experiência pelas estradas do interior que serviu de ponto de partida para uma das principais críticas apresentadas durante a entrevista. Para Abib, as condições da malha viária estadual representam não apenas um problema de infraestrutura, mas também uma perda econômica para Rondônia.

“Rondônia é rica, Rondônia produz muito, mas o desperdício que Rondônia tem por uma falta de política pública...”, afirmou. Na sequência, o candidato citou o impacto das estradas precárias sobre a produção agropecuária e sustentou que as perdas alcançariam bilhões de reais.

Ao exemplificar o problema, Abib mencionou a RO-421 e relatou as dificuldades encontradas no trecho entre Buritis, Jacinópolis, Nova Dimensão e a região de Nova Mamoré. Na avaliação dele, investimentos estruturantes poderiam reduzir perdas do setor produtivo e ampliar a competitividade do estado.

A discussão sobre infraestrutura abriu espaço para um debate mais amplo sobre o modelo econômico de Rondônia. Abib defendeu que o estado deixe de depender predominantemente da comercialização de produtos in natura e avance na industrialização para agregar valor à produção local.

O candidato citou como exemplo a cadeia do leite. Para ele, Rondônia precisa estimular a transformação da matéria-prima em produtos como queijo, manteiga e iogurte, evitando que parte da riqueza gerada pelo setor produtivo deixe o estado.

“Precisa ter um plano de Estado, um trilho que a gente queira seguir para chegar em algum lugar”, declarou.

Abib também comparou Rondônia a regiões produtoras de Mato Grosso, citando Lucas do Rio Verde como exemplo de agregação de valor à soja por meio da fabricação de óleo, ração, produção de suínos e atividade frigorífica.

Foto - Rondonoticias

No campo político, a entrevista ganhou tom mais direto quando Arimar Souza de Sá questionou Abib sobre possíveis traições durante a caminhada eleitoral.

“Eu sinto na pele todos os dias”, respondeu o candidato. Segundo ele, apesar das dificuldades, decidiu conduzir a campanha sem atacar adversários e pretende chegar ao fim do processo eleitoral preservando as relações com aqueles que considera leais.

Questionado especificamente sobre o MDB e sobre o senador Confúcio Moura, Abib evitou classificar o correligionário como traidor, mas reconheceu dificuldades dentro da própria legenda.

“Eu não considero dessa maneira, mas a gente percebe, sim, dentro do partido, pessoas que deveriam estar caminhando juntos e não estão”, afirmou. Segundo ele, essa realidade foi percebida ao longo da campanha e contrariou expectativas existentes no início do processo.

O trecho de maior confronto político da entrevista ocorreu durante a discussão sobre a situação fiscal de Rondônia e a capacidade de investimento do próximo governo. Ao ser questionado sobre como pretende ampliar investimentos sem comprometer as contas públicas, Abib fez uma avaliação crítica da administração de Marcos Rocha.

Foto - Rondonoticias

“O que a gente está recebendo, Arimar, é uma gestão que está entregando o Estado com uma incapacidade de investimento, com um esmagamento fiscal. Essa é a realidade”, declarou.

Abib, porém, fez questão de diferenciar a situação financeira de Rondônia da avaliação que faz da atual administração.

“Não estamos recebendo um Estado falido. Não estamos recebendo um Estado em ruínas”, afirmou.

Na sequência, Arimar perguntou diretamente se Abib considerava “maldita” a gestão de Marcos Rocha. O candidato respondeu: “É”.

Apesar da crítica, Abib fez uma ressalva pessoal ao governador, afirmando considerá-lo uma pessoa íntegra. O candidato concentrou seus ataques na condução administrativa do Executivo.

“A gestão dele está entregando, sim, uma herança maldita para quem assumir”, declarou.

Abib argumentou ainda que Rondônia mantém capacidade de endividamento e poderia recorrer a financiamentos para executar obras estruturantes, desde que os recursos fossem destinados a investimentos e não à criação de despesas permanentes.

Nesse contexto, voltou a defender a pavimentação das rodovias estaduais e apontou a infraestrutura como uma das áreas capazes de produzir retorno econômico para Rondônia.

O candidato também usou a situação da saúde para reforçar sua crítica à capacidade administrativa do atual governo. Durante a entrevista, afirmou que recursos destinados ao Hospital de Traumas teriam sido posteriormente remanejados para custeio, apresentando o episódio como exemplo do que considera falta de planejamento.

“Não falta dinheiro, falta gestão e prioridade em Rondônia”, resumiu.

Arimar também colocou em discussão a experiência administrativa do candidato, lembrando que sua trajetória está ligada principalmente à educação e à gestão universitária e questionando se essa experiência seria suficiente para comandar uma estrutura do tamanho do Governo de Rondônia.

Abib respondeu que se considera preparado e começou a apresentar resultados de sua atuação na gestão educacional, citando investimentos realizados durante a pandemia.

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