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porto velho, quarta-feira 23 de setembro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (23/09) recebeu o candidato a Governador, Hildon Chaves (União Brasil). Ex-prefeito de Porto Velho, cargo que exerceu por dois mandatos consecutivos, Hildon deixou o comando da capital após oito anos de gestão e agora disputa o Governo de Rondônia. Durante a entrevista, colocou a agricultura familiar, a permanência dos jovens no campo, a regularização fundiária e os pedágios da BR-364 entre os principais temas de sua campanha.
Na abertura da entrevista, Hildon disse acompanhar diariamente a movimentação da disputa e afirmou que a campanha identificou uma mudança de cenário nas últimas semanas. Segundo ele, o desempenho estaria relacionado, entre outros fatores, ao início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A afirmação sobre sua posição na corrida eleitoral representa a leitura da própria campanha.
Ao ser questionado sobre o que tem encontrado nas viagens pelo estado, o candidato apontou estradas, saúde, educação e segurança entre as reclamações que diz ouvir da população. Hildon afirmou ter percorrido quase todos os 52 municípios e chamou atenção especialmente para o esvaziamento das áreas rurais entre os mais jovens.
“Nas nossas andanças por Rondônia, uma coisa chama muito a atenção: os jovens estão sumindo do campo. Falta perspectiva e uma política pública capaz de estimular a permanência dessas pessoas no meio rural”, afirmou.
A agricultura familiar apareceu, então, como um dos principais eixos defendidos pelo candidato. Hildon argumentou que investimentos relativamente menores podem gerar renda e ajudar famílias a conquistar independência econômica. Como exemplo, citou a produção de café e sustentou que o fortalecimento dos pequenos produtores pode alterar a realidade econômica dos municípios de menor porte.
“O nosso plano de governo contempla esse apoio. Eu vejo que a agricultura familiar pode mudar a realidade econômica não apenas do Estado, mas principalmente dos pequenos municípios de Rondônia”, declarou.
Educação e oportunidade para os jovens também entraram no debate. Nesse ponto, Hildon recorreu à experiência dos oito anos em que esteve à frente da Prefeitura de Porto Velho para apresentar uma das propostas que pretende levar ao Governo. Ele citou o programa Faculdade da Prefeitura e afirmou que pretende adaptar a iniciativa para atender estudantes de todo o estado.
Segundo o candidato, o programa municipal alcançou cerca de 1,4 mil pessoas e priorizou estudantes que cursaram toda a formação na rede pública e pertenciam a famílias com renda de até três salários mínimos.

Na proposta apresentada durante a entrevista, a seleção continuaria vinculada ao desempenho no Enem. Hildon citou a formação de profissionais em áreas como engenharia, fisioterapia, fonoaudiologia, contabilidade, direito e medicina e afirmou que pretende reproduzir o modelo em âmbito estadual.
Outro ponto que ganhou espaço foi a regularização fundiária. Hildon relacionou a dificuldade enfrentada por produtores rurais à situação das terras federais em Rondônia e afirmou que, caso seja eleito, pretende buscar articulação política para avançar na solução do problema.
“Como governador, no pior cenário, eu vou atrás dos senadores do Amapá e de Roraima para nos ajudar. Mas o que tem que ser resolvido vai ser resolvido”, afirmou Hildon, ao citar esses estados como referências para a discussão sobre transferência de terras.
O tom político da entrevista subiu quando o assunto passou para os pedágios previstos na concessão da BR-364. Hildon criticou adversários que prometem uma solução imediata para o tema e classificou esse tipo de discurso como irresponsável. Para ele, o contrato não pode simplesmente ser desfeito de maneira instantânea.
“Quem está na vida pública não pode mentir para o eleitor. Não vai resolver do dia para a noite. Não tem como resolver nada do dia para a noite”, declarou o candidato.

Apesar da crítica às promessas de rompimento imediato, Hildon afirmou enxergar alternativas para reduzir o impacto dos pedágios sobre quem utiliza trechos menores da rodovia. Ele citou como exemplo o deslocamento entre municípios próximos e defendeu discutir um escalonamento da cobrança, argumentando que moradores que percorrem distâncias curtas não deveriam sofrer o mesmo impacto de quem utiliza longos trechos da BR-364.
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